50 Riels– 1975 – Kampuchea
- awada
- 19 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de jan.
A breve vida de uma "sociedade agrária sem dinheiro".


A idílica cena de camponeses trabalhando em um arrozal, retratada no anverso desta cédula de Kampuchea, contrasta de forma perturbadora com a sombria história que ela encobre. Kampuchea Democrática foi o nome adotado pelo Camboja entre 1975 e 1979, após o Partido Comunista de Kampuchea — mais conhecido como Khmer Vermelho — assumir o poder ao final de uma guerra civil, sob a liderança de Pol Pot (1925–1998). Com o objetivo declarado de criar uma sociedade socialista essencialmente agrária, Pol Pot implementou um projeto de governo profundamente tirânico durante os quatro anos em que esteve no poder. Estima-se que entre 1,5 e 2 milhões de pessoas tenham morrido nesse período, o que tornou esses anos conhecidos na história como o Genocídio Cambojano, também referido por alguns autores como o Holocausto Cambojano. O regime determinou o esvaziamento total das grandes cidades, incluindo a capital Phnom Penh, que então abrigava cerca de dois a três milhões de habitantes. A população urbana foi forçada a abandonar suas casas, empregos e bens, sendo deslocada para fazendas coletivas, onde era submetida a jornadas exaustivas de trabalho. Milhares morreram de fome, enquanto outros sucumbiram à exaustão, às doenças ou às torturas praticadas por agentes do governo. Determinado a construir uma “nova sociedade”, o Khmer Vermelho buscou eliminar todos os vestígios da antiga ordem. O projeto incluía a erradicação da vida urbana, considerada corrupta e “parasitária”, bem como o fim da propriedade privada, do uso do dinheiro e até mesmo das relações familiares tradicionais. Apesar da política oficial de uma “sociedade agrária sem dinheiro”, o regime emitiu uma série de cédulas em 1975 — entre elas a aqui apresentada — que, paradoxalmente, jamais chegaram a circular. O fim da Kampuchea Democrática ocorreu em 1979, quando o país foi invadido pelo exército do Vietnã, em resposta a ataques e ao assassinato de cidadãos vietnamitas na região de fronteira. Pol Pot fugiu então para áreas remotas próximas à Tailândia, de onde tentou organizar uma resistência armada até sua morte, em 1998, oficialmente atribuída a um ataque cardíaco.


Comentários