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A LUTA CONTRA A FALSIFICAÇÃO 1ª PARTE

7 de jun. de 2022
15 min de leitura

MATERIAL BASE E RECURSOS INCORPORADOS


Dinheiro falsificado é aquele emitido sem a sanção legal do governo de um país numa tentativa deliberada de imitar o dinheiro original de modo a enganar seu destinatário. Sabe-se hoje que a falsificação do dinheiro é tão antiga quanto o próprio dinheiro. Alguns dos efeitos negativos que o dinheiro falsificado tem na sociedade incluem a redução no valor nominal do dinheiro real; o aumento nos preços (inflação) devido a ter mais dinheiro circulando na economia; a diminuição na aceitabilidade e confiabilidade do papel-moeda; e finalmente as perdas, quando comerciantes e pessoas físicas não são reembolsados ​​pelo dinheiro falso detectado pelos bancos, mesmo ele sendo confiscado. Muitos recursos de segurança surgiram e se foram desde a introdução do papel-moeda, e o conhecimento desses recursos é muito interessante. Alguns dos recursos mencionados aqui são bastante conhecidos, enquanto outros serão novos para alguns colecionadores. Vamos então dar uma volta ao longo do tempo e ver alguns dos muitos dispositivos e inovações que foram introduzidos em um esforço para impedir e derrotar os falsificadores do dinheiro em forma de cédulas.

Papel-moeda


Desde o início, as autoridades emissoras de papel-moeda perceberam a necessidade de usar materiais especiais na sua produção. O objetivo destes materiais especiais para a fabricação do papel-moeda é duplo - em primeiro lugar, há a necessidade de produzir um papel que seja duradouro e resistente e, em segundo lugar, existe o desejo de usar um tipo de papel que não esteja facilmente disponível ao público.


A primeira emissão de papel-moeda ocorreu na China por volta de 1375 durante a Dinastia Ming. Eles foram impressos em um papel especialmente fabricado com casca de uma espécie de amoreira conhecida como Broussonetia papyrifera, em oposição ao papel mais comum que era fabricado a partir da pasta de celulose obtida do bambu. Como medida preventiva contra a falsificação, a administração chinesa assumiu todas as oficinas que produziam papel de casca de amoreira e proibiu o seu comércio por particulares.


Cédula produzida a partir de casca de amoreira - 1 guàn (ou 1000 wén) emitida entre 1380 e o início do século XVI durante a Dinastia Ming
Cédula produzida a partir de casca de amoreira - 1 guàn (ou 1000 wén) emitida entre 1380 e o início do século XVI durante a Dinastia Ming

Já as primeiras cédulas emitidas na Europa foram as do Stockholms Banco (Banco de Estocolmo) da Suécia em 1662. Elas foram impressas em papel branco. Exatamente do que ele era feito é desconhecido, no entanto, provavelmente era de fibra de linho, já que o papel de linho se tornou o material padrão para cédulas em toda a Europa no século XVIII.


Primeira cédula europeia impressa na Suécia em 1662 - 5 daller do Stockholms Banco (P.A46)
Primeira cédula europeia impressa na Suécia em 1662 - 5 daller do Stockholms Banco (P.A46)

Já no século XX as cédulas "brancas" do Bank of England ainda eram impressas em papel feito de fibras de linho, mas quando os nazistas tentaram falsificá-las durante a Segunda Guerra Mundial, descobriram que não podiam reproduzir a cor correta. No entanto, eles logo descobriram o motivo - o linho usado para as cédulas inglesas era feito de linho velho e não de linho novo, como originalmente supunham. A verdade é que as cédulas inglesas estavam sendo produzidas a partir de sacos de correio velhos. Até a emissão das primeiras falsificações, a estranha "qualidade" do papel usado nas cédulas inglesas era considerada pelo Bank of England como um dos seus principais recursos de segurança.


Cédula "branca" produzida em 1936 pelo Bank of England com fibra de linho - 500 pounds  (P.340)
Cédula "branca" produzida em 1936 pelo Bank of England com fibra de linho - 500 pounds (P.340)

A maioria das cédulas modernas são feitas de papel a base de fibra de algodão com um peso entre 80 a 90 gramas por metro quadrado. O algodão às vezes é misturado com linho, cânhamo ou outras fibras têxteis. O papel-moeda normalmente utilizado em cédulas é bem diferente do papel comum - ele é muito mais resistente ao desgaste, sendo que a vida média de uma cédula é de dois anos. Ao contrário da maioria dos papéis comuns para imprimir e escrever, o papel-moeda é infundido com álcool polivinílico ou gelatina, em vez de água, para dar uma consistência extra. A textura do papel-moeda é outro diferencial, sendo talvez sua qualidade mais perceptível aos usuários. Do ponto de vista de segurança, há também outra qualidade especial do papel-moeda - a falta de fluorescência. A maioria dos papéis fabricados a partir de polpa de madeira ou de uma mistura de polpa de madeira e fibra de algodão irá fluorescer (brilhar em um branco mais brilhante) quando submetidos à luz ultravioleta, enquanto o papel-moeda feito de fibras de algodão ou de linho não apresentará este fluorescimento. Todos estes fatores juntos tornam o papel-moeda mais atraente para as autoridades emissoras.


As cédulas emitidas em papel comum foram frequentemente usadas em situações de emergência, onde a urgência de sua disponibilidade superava o desejo de um uso prolongado. Um exemplo de papel comum que foi usado para a produção de cédulas pode ser encontrado na primeira emissão da República de Biafra em 1968.

Cédula produzida com papel comum (celulose) de 5 shillings da República de Biafra em 1968 (P.1)
Cédula produzida com papel comum (celulose) de 5 shillings da República de Biafra em 1968 (P.1)

Fibras de celulose, algodão, cânhamo, linho e outras fibras têxteis não foram os únicos materiais utilizados na produção de papel-moeda. No passado ocasionalmente foram utilizados ​​materiais um tanto mais obscuros. Um dos mais estranhos foi o couro de carneiro, usado em uma das emissões das Ilhas Cocos (Keeling) de 1879. O couro era processado para ficar rígido e bastante fino, e para um observador casual a cédula não seria reconhecida como couro.


Cédula produzida com pele de carneiro - 1/4 rupee das Ilhas Cocos (Keeling) em 1879 (P.S101)
Cédula produzida com pele de carneiro - 1/4 rupee das Ilhas Cocos (Keeling) em 1879 (P.S101)

Polímero


No final do século XX houve alguns movimentos para se afastar do papel-moeda e partir em direção aos polímeros. A primeira edição impressa em polímero veio do Haiti, que em 1979/80 emitiu uma série de cédulas de um polímero patenteado pela multinacional americana DuPont chamado "Tyvek". Pouco depois, em 1983, houve emissões na Costa Rica (P.252) e na Ilha de Man (P.38) com o mesmo material. No entanto, esse experimento se mostrou insatisfatório, pois foi constatado que a impressão se desprendia do corpo da cédula, fazendo as autoridades emissoras voltarem ao uso do papel-moeda.


Cédula produzida com Tyvek pela American Bank Note Company - 500 gourdes do Haiti de 1979 (P.238)
Cédula produzida com Tyvek pela American Bank Note Company - 500 gourdes do Haiti de 1979 (P.238)

O uso efetivo das cédulas de polímero teve início em 1988 na Austrália após o desenvolvimento de um novo polímero pela Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth e pela Note Printing Australia chamado polipropileno biaxialmente orientado (BOPP em inglês). Embora tenham ocorrido alguns problemas no início, tanto com as cédulas quanto com a sua aceitação pelo público, hoje todas as cédulas australianas são de polímero. Além da Austrália, cédulas de polímero são atualmente utilizadas, total ou parcialmente, em mais de 50 países ao redor do mundo, países tão diversos como Canadá, Maurício, Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné, Romênia, Vietnã, etc. O Brasil teve apenas uma edição especial em polímero (P.248) para a comemoração dos 500 anos do descobrimento.­


Primeira cédula em polímero da Austrália - 10 dollars de 1988 (P.49)
Primeira cédula em polímero da Austrália - 10 dollars de 1988 (P.49)

Marcas d'água


As marcas d'água foram usadas na fabricação de papel muito antes da emissão das primeiras cédulas na Europa. A primeira marca d'água específica para uma cédula de banco foi a da emissão de 1662 do Stockholms Banco (P.A46), em que a palavra "Banco" aparecia no papel quando exposto contra a luz. A partir de então, as marcas d'água se tornaram um recurso de segurança padrão.


A marca d'água é introduzida no momento da fabricação do papel-moeda e é produzida por meio da aplicação de estampos em alto relevo com o desenho que se quer aplicar sobre a folha ainda úmida. Desta forma os níveis de umidade no papel variam durante o processo de secagem, o que dá à marca d'água suas qualidades peculiares.


A tentativa de falsificar marcas d’água pode ser feita tanto por fotografia como pelo uso de uma prensa. No entanto, as distinção de uma marca d'água genuína está nas diferentes tonalidades produzidas pela espessura variável do papel e, quando imersas na água, a marca d'água se torna ainda mais distinta. Quando uma cédula com uma marca d'água falsa, criada por exemplo por uma prensa, é colocada na água, a fibra no papel incha até atingir a mesma espessura do restante da cédula e a marca d'água falsa desaparece e expõe a falsificação.


Quando um papel-moeda com marca d'água genuína é mantido contra a luz, as partes mais grossas do papel aparecem escuras e, quando colocadas debaixo de uma luz, as partes grossas parecem mais claras. Uma marca d'água prensada ou fotografada não manterá essas qualidades.


Embora a marca d'água em si tenha permanecida essencialmente a mesma ao longo de sua existência, houve ao longo dos anos vários desenvolvimentos na sua fabricação. O desenvolvimento mais notável foi a marca d'água "chiaroscuro" (claro-escuro), desenvolvida pela primeira vez em 1848 por William Henry Smith como um método para ajudar a prevenir a falsificação. Como mencionado anteriormente, em uma marca d'água tradicional, uma imagem é produzida em fibras de papel contrastando tons claros e escuros em locais onde o papel fica mais fino ou mais grosso durante o processo de impressão. A imagem resultante tem uma qualidade "preto e branco" de alto contraste sem sombreamento graduado no meio. Em uma marca d'água "chiaroscuro", no entanto, as fibras do papel vão gradativamente de finas a grossas, produzindo uma imagem com muitos tons de claro a escuro. Esta marca d'água era mais difícil de reproduzir do que as marcas d'água simples usadas até então, e apareceram nas cédulas "brancas" do Bank of England depois de 1855 e, posteriormente, em muitas outras emissões de outros países.


As marcas d'água das primeiras cédulas eram projetadas especificamente para mostrar indivíduos. Essa prática foi amplamente difundida e pode ser vista com perfeição nas marcas d'água das cédulas "brancas" do Bank of England ou nas cédulas do Bank of Scotland antes de 1960. Uma marca d'água altamente inovadora foi adotada pelo Bank of Scotland a partir de 1885. Até o início do século, essa patente era registrada pela inscrição RD. NO.18970 na margem inferior das cédulas. Esta nova tecnologia passou a ter marcas d'água específicas para cada denominação (valor) da cédula. O valor por extenso era inserido no próprio papel durante a sua fabricação através de moldes individuais, onde os impressores precisavam alinhar perfeitamente a impressão sobre a marca d'água exata. Embora extremamente segura, ela foi descontinuada por volta de 1929 devido à evolução industrial. O alinhamento manual necessário na impressão reduzia a velocidade de fabricação, e o surgimento de bobinas e grandes folhas permitiu substituir a marca d'água localizada por marcas d'água contínuas (que se repetem por todo o papel) ou padrões corridos (como os padrões geométricos celtas), eliminando a necessidade de alinhar o papel milimetricamente antes da impressão.


Cédula do Bank of Scotland com a inscrição da patente da marca d'água na margem inferior esquerda - 1 pound de 1885 (P.76)
Cédula do Bank of Scotland com a inscrição da patente da marca d'água na margem inferior esquerda - 1 pound de 1885 (P.76)

Um exemplo típico são as marcas d'água na última série de cédulas australianas de papel. Nas cédulas de menor valor ela era específica; isto é, havia uma imagem do capitão Cook em cada cédula. Já nas cédulas de cinquenta e cem dólares ela era contínua; a imagem do capitão Cook era repetida em toda parte superior da cédula. Já as marcas d'água “por toda parte” são a alternativa mais barata e podem ser vistas em muitas emissões, incluindo a de 1949 da Holanda, as atuais do Bank of Scotland e nas cédulas das Ilhas Faroe, para citar apenas alguns exemplos. Mas apesar do uso de marcas d'água que cobrem todo o papel-moeda e das marcas d'água contínuas, muitas autoridades emissoras ainda preferem cédulas com marcas d'água específicas.


Embora as novas cédulas plásticas não tenham marcas d'água, foi possível criar um dispositivo muito semelhante ao inserir uma imagem em um dos substratos poliméricos durante a sua fabricação. Na cédula do bicentenário australiano de 10 dólares de 1988 (P.49), esta imagem é um padrão de onda no quadrante superior direito da cédula e, na cédula de 5 dólares (P.50 e P.51), é o brasão da Austrália no canto superior esquerdo. Essas imagens podem ser vistas com clareza quando as cédulas são mantidas contra luz fraca.


Gravação em relevo


A segunda emissão do Stockholms Banco em 1666 surgiu com medidas de segurança adicionais, já que a primeira havia sido falsificada. Além da marca d'água mencionada acima, cada cédula também tinha onze selos de cera gravados em relevo.


Os selos eram gravados com matrizes de aço, com a parte de trás da cédula preenchida com uma cera vermelha fundida e a cera era coberta com uma camada de papel após ser carimbada e secada. Embora o processo pareça complicado, não houve registro de falsificações desta série.


Anverso e reverso de cédula do Stockholms Banco da Suécia com selos gravados - 100 daller de de 1666 (P.A60)
Anverso e reverso de cédula do Stockholms Banco da Suécia com selos gravados - 100 daller de de 1666 (P.A60)

Embora o uso dos selos de cera não tenha prosperado, o uso da gravação em relevo diretamente no papel permaneceu. Estes carimbos em relevo eram conhecidos com "selos cegos" (cego significando incolor). A primeira emissão do Bank of Scotland tinha o selo do banco gravado nela, e eles continuaram com essa prática em várias emissões posteriores. Esse dispositivo entretanto é mais bem conhecido nos "assignats" da França republicana, embora muitas cédulas europeias anteriores também o usassem.


Cédula do Banco da Escócia com um selo cego na parte central direita - 12 pounds scouts de 1723 (P.9)
Cédula do Banco da Escócia com um selo cego na parte central direita - 12 pounds scouts de 1723 (P.9)

Cédula da França República com dois "selos cegos" em assignat de 10 sous de 1792 (P.A53)
Cédula da França República com dois "selos cegos" em assignat de 10 sous de 1792 (P.A53)

Apesar da gravação em relevo ter sido muito comum nos séculos XVII e XVIII, ela parece ter perdido sua popularidade a partir do século XIX. No entanto, houve algumas cédulas modernas que mantiveram a tradição, sendo a cédula de 10.000 coroas suecas de 1939 um bom exemplo.


Cédula moderna da Suécia com um selo cego na lateral direita - 10000 kronor de 1939 (P.39)
Cédula moderna da Suécia com um selo cego na lateral direita - 10000 kronor de 1939 (P.39)

Desenvolvimentos posteriores viram o ressurgimento da gravação em relevo de uma forma totalmente diferente. Cédulas do Canadá, Costa Rica e outros países passaram a exibir gravações de pontos ou barras em relevo para facilitar sua identificação por cegos ou deficientes visuais, embora a priori essas gravações não devam ser consideradas como recursos de segurança.

Canhoto


Muitas cédulas dos séculos XVIII e XIX eram encadernadas em livros e apresentadas de maneira semelhante a um talão de cheques (ex-)moderno. Quando uma cédula era emitida, ela era removida do livro da mesma maneira que um cheque é removido de um talão. Mas enquanto o cheque é destacado do talão ao ser rasgado ao longo de pequenas perfurações, a cédula era removida fazendo um corte próximo ao seu canhoto. O local do corte geralmente era feito ao longo de um painel com um desenho decorativo e, com frequência, era um corte irregular. Quando a cédula era devolvida ao banco para pagamento, o caixa podia recuperar o livro de canhotos através do seu número de série e, em seguida, associar a borda irregular da cédula à borda do seu canhoto. A cédula genuína deveria ter uma borda que se complementasse ao seu canhoto.


Cédula do Uruguai com canhoto e painel de corte no lado esquerdo - 10 pesos de 1883 (P.S242)
Cédula do Uruguai com canhoto e painel de corte no lado esquerdo - 10 pesos de 1883 (P.S242)

O uso de canhotos desapareceu há muito tempo, mas muitas cédulas do século XX continuaram a incorporar um painel à esquerda da cédula que lembra os painéis originalmente projetados para serem usados como canhotos, como por exemplo nas cédulas do Scotland’s British Linen Bank emitidas até os anos 1970.


Cédula do British Linen Bank da Escócia com painel à esquerda similar a um canhoto - 1 pound de 1962 (P.166)
Cédula do British Linen Bank da Escócia com painel à esquerda similar a um canhoto - 1 pound de 1962 (P.166)

Fibras de segurança


As experiências com materiais incorporados ao papel-moeda foi ocorrendo ao longo dos anos, e uma das primeiras tentativas de incorporar materiais estranhos foi feita pelo polimata Benjamin Franklin, mais conhecido como um dos pais fundadores dos Estados Unidos da América, quando ele usou pedaços de mica triturada na tentativa de produzir um papel especial. Embora essa iniciativa em particular não tenha sido bem-sucedida, o posterior uso de fibras coloridas e fluorescentes foi extremamente bem-sucedido. O uso de fibras coloridas foi patenteado por James M. Willcox da Filadélfia e usado pela primeira vez em cédulas americanas por volta de 1870. O papel foi apropriadamente chamado de papel "Willcox" em homenagem ao seu inventor, ou "papel granito" devido a semelhança das fibras vermelhas e azuis com os grãos cristalinos do granito.


As fibras incorporadas geralmente eram feitas de materiais naturais. O papel-moeda original de Willcox tinha fibras de juta azul escuro, enquanto outros papeis possuíam fibras de seda, como as cédulas espanholas na virada do século.


Embora a forma mais comum de papel-moeda incorporado de fibra seja o uso de uma distribuição uniforme de fibras em ambos os lados da cédula, pode haver muitas variações. A cédula de mil marcos do Reichsbank de 1910 apresenta fibras coloridas que apareciam apenas no lado esquerdo do anverso da cédula; enquanto as cédulas suecas da década de 1890 tinham uma faixa de fibras azuis ou vermelhas em uma das bordas da cédula, dependendo do seu valor.


Dependendo dos requisitos das autoridades emissoras, os fabricantes de papel-moeda podem alterar a distribuição e o número de fibras no papel. De fato, isso foi feito em várias épocas pelo Bureau of Engraving and Printing dos Estados Unidos para várias de suas emissões, na tentativa de confundir os falsificadores.


Enquanto a maioria das fibras incorporadas era distribuída aleatoriamente ao redor do papel-moeda, as cédulas de 1000 pesetas de 1895 na Espanha tinham uma faixa de fibras de lã semelhantes a um curativo, que ficava entre o painel usado para cortá-la do seu canhoto e o corpo principal da cédula.


Cédula da Espanha com fibras de lã incorporadas na faixa entre o canhoto e a cédula - 1000 pesetas de 1895 (P.45)
Cédula da Espanha com fibras de lã incorporadas na faixa entre o canhoto e a cédula - 1000 pesetas de 1895 (P.45)

As fibras fluorescentes surgiram na década de 1960. Essas fibras não são visíveis sob luz normal, mas sob luz ultravioleta elas brilham em verde, azul, vermelho ou branco. A maioria dos papéis-moedas que possuem essas fibras as tem espalhadas muito esparsamente nas cédulas.


Uma evolução natural do uso de fibras fluorescentes foi combiná-las com fibras coloridas não fluorescentes.


Uma variação da incorporação de fibras no papel-moeda foi desenvolvida em 1906, quando a empresa alemã Giesecke & Devrient registrou uma patente para a incorporação de pequenas tiras coloridas impressas no papel-moeda. Exemplos de papel-moeda com essas tiras embutidas podem ser vistos nas edições de 1936 da Espanha, nas quais as tiras têm o “Banco de España” impresso nelas.


Em 1939, a Giesecke & Devrient registrou outra patente para implantar pequenos pedaços de papel colorido no papel-moeda chamados planchretes (do francês planchettes). Elas não são reproduzíveis por digitalização, fotocópia ou impressão e são fluorescentes, podendo ser vistas sob radiação UV, ou não fluorescentes, podendo ser vistas diretamente na superfície do papel. Há também planchretes termo-crômicas, que mudam de cor quando alguma forma de calor é aplicado sobre a cédula.


Fios de segurança


O recurso de segurança final que faz parte do processo de fabricação do papel-moeda é o fio de segurança. O uso de fios de segurança é uma extensão lógica da fibra incorporada - um fio de material natural ou sintético que é colocado no papel durante a sua fabricação - exceto que o fio de segurança sempre é colocado de forma regular no corpo da cédula.


Embora a maioria das pessoas estejam familiarizadas com os modernos fios metálicos e seus sucessores, há pelo menos um precursor - a primeira edição do El Banco de España de 1874 (P.1, P.2 e P.3) e posteriores, como a cédula de 1.000 pesetas já mostrada acima (P.45). Como vimos essa emissão trazia uma "fibra de lã" incorporada na cédula próxima ao canhoto e, para todos os efeitos, ela aparecia da mesma maneira que os modernos fios de segurança.


O moderno fio de segurança foi desenvolvido na década de 1930 como um projeto conjunto entre a Stanley Chamberlain, o Bank of England e a Portals Paper Limited, fabricante de papéis de segurança. O resultado desta colaboração foi o fio de segurança metálico com o qual a maioria de nós está familiarizada.


O Bank of England usou pela primeira vez seu novo fio de segurança nas emissões de £1 e 10 xelins de 1948 (P.368 e P.369); no entanto, é provável que o primeiro uso do fio metálico tenha ocorrido na emissão de £1 da África do Sul de 19.9.1938 (P.84d). A série A78 desta edição foi impressa em papel com um fio metálico; no entanto, como as séries subsequentes não foram impressas no mesmo tipo de papel-moeda, pode-se supor que esse foi um uso experimental associado à Portals e ao Bank of England.


O uso dos fios se segurança cresceu e se tornou quase universal, pois é quase impossível de ser reproduzido. Nas cédulas brasileiras ele foi introduzido a partir da emissão de 5.000 cruzeiros de 1981 (P.202).


No entanto, em um esforço para confundir ainda mais o pretenso falsificador, várias variações no uso de fios de segurança foram desenvolvidas – sendo estas o fio código Morse, o fio quebrado, o fio micro-impresso, o fio com contornos e o fio com janelas.


O fio código Morse é um fio sintético que possui seções sólidas e translúcidas. Quando mantida sob luz, a linha quebrada criada pelas seções sólidas e translúcidas pode ser lida como caracteres de pontos e traços do código Morse. As duas primeiras edições do Kuwait usaram esse fio, com o código Morse escrevendo a palavra Kuwait.


O uso do fio quebrado pode ser visto em inúmeras cédulas recentes, onde são usados ​​fios com quebras regulares. As emissões atuais podem ter segmentos quebrados coloridos enquanto que as emissões mais antigas tinham um fio quebrado na cor preta.


O fio micro-impresso é translúcido e, quando mantido sob a luz, exibe um padrão regular; no entanto, quando sujeito a ampliação, o padrão é visto como uma micro impressão. Geralmente, a escrita é o nome ou as iniciais da autoridade emissora.


O fio com contornos é um fio largo que possui um lado reto e um lado ondulado, com o lado ondulado apontando para a esquerda ou para a direita na cédula. Esse recurso apareceu na cédula de 50 libras do Bank of England, emitida em 1981, bem como na cédula de 500 coroas suecas, emitida em 1986.


O fio com janelas, também chamado de "Stardust", é o mais recente desenvolvimento no uso de fios de segurança. Ele pode ser visto nas últimas emissões da Inglaterra, bem como em algumas das novas emissões da Alemanha, Zâmbia e Nigéria. Quando a cédula que contém o fio com janelas é visualizada no sentido inverso, o fio se parece muito com um fio normal, embora um pouco mais amplo. Quando ele é visto pelo anverso, parece que o fio foi tecido através do papel. Esses fios são revestidos com alumínio, que protege as áreas expostas e lhes confere um brilho distinto.


O brilho nos fios com janela é importante, pois ele é impossível de ser fotocopiado. Esse recurso distintivo foi recentemente copiado pelos Estados da África Ocidental que colocaram uma fita na frente de suas cédulas, à esquerda do fio de segurança. A fita é transparente com seções de uma superfície metálica brilhante e intervalos regulares vazios, inibindo assim o falsificador de fotocopiar.


Uma variação interessante do fio metálico foi a usada pela Arábia Saudita. Seus fios metálicos são feitos de prata, porque até a emissão das cédulas, eles usavam o padrão prata e o uso de um fio de prata reflete a história desse padrão. As últimas cédulas da Arábia Saudita também têm uma micro impressão nos fios de prata, mostrando que a micro impressão não precisa ser feita usando apenas fios sintéticos translúcidos.


O desenvolvimento mais recente no campo dos fios de segurança parece ser o uso de fios de segurança que reagem à luz ultravioleta. As cédulas da Bolívia têm fios que brilham sob luz ultravioleta, e a cédula comemorativa de 60 baht da Tailândia tem um fio quebrado, colorido e impresso, onde as seções azuis brilham quando colocadas sob luz ultravioleta.


Pelo visto, as variações deste recurso nunca terminarão!


Como visto acima, uma boa parte dos recursos de segurança na luta contra a falsificação começa já na produção do papel. Mas como veremos adiante, este é apenas o primeiro passo nesta batalha sem fim.

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