500 Yen – 1969 – Japão
- awada
- 4 de set. de 2021
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Atualizado: 28 de jan.
"É louco aquele que se recusa a subir ao cume do Fuji pelo menos uma vez na vida." (provérbio local)


Local reverenciado pelos japoneses como divindade há pelo menos 1.400 anos, o Monte Fuji é um dos principais destinos turísticos do país, atraindo centenas de milhares de visitantes anualmente. Com 3.776 metros de altitude — o que o torna o ponto mais elevado do arquipélago japonês — e com o cume habitualmente coberto de neve, é a mais conhecida das Três Montanhas Sagradas do Japão, ao lado dos montes Tate e Haku. A importância cultural e simbólica dessa montanha foi reconhecida pela Unesco, que incluiu a região do Fuji na Lista do Patrimônio Mundial em 2013. Seu formato clássico, de encostas regulares e suaves moldadas por correntes de lava muito líquida e elástica, contribuiu para o surgimento de inúmeras lendas associadas à montanha. Uma das mais célebres é relatada no Kojiki, texto sagrado do xintoísmo — a religião tradicional do Japão. Segundo essa narrativa, uma princesa de beleza incomparável chamada Sakuya-hime (“Princesa da Floração”), filha do deus da montanha Oyamatsumi-no-kami, desceu à Terra e apaixonou-se por Ninigi-no-mikoto, neto da deusa do sol Amaterasu e ancestral da dinastia imperial japonesa. Correspondendo ao amor, Ninigi pediu a mão da jovem em casamento, mas o deus da montanha recusou, oferecendo-lhe, em seu lugar, a filha mais velha, Iwanaga-hime (“Princesa da Pedra”). Diante da recusa de Ninigi, Oyamatsumi acabou cedendo, ainda que contrariado. Sakuya-hime engravidou após apenas uma noite, fato que despertou suspeitas em seu marido. Ofendida e determinada a provar sua fidelidade, ela entrou voluntariamente em uma cabana em chamas, declarando que o filho nada sofreria se fosse realmente de Ninigi. Dentro da cabana, deu à luz três meninos: Hoderi, Hosuseri e Hoori. Mãe e filhos saíram ilesos do fogo, consolidando Sakuya-hime como divindade protetora contra incêndios. Simbolizada pela flor de cerejeira, Sakuya-hime tornou-se também a deusa do Monte Fuji e dos demais vulcões da ilha. Sua descendência representa, assim como a própria flor, a efemeridade da vida humana. Por essa razão, os xintoístas acreditam que o espírito da princesa habita o Fuji, e a escalada da montanha é vista como um ato de peregrinação. Os que se dispõem a essa jornada realizam a ascensão durante o verão japonês, enfrentando terrenos irregulares, ventos fortes, clima instável e, nas maiores altitudes, temperaturas sempre baixas, mesmo nessa estação. Ainda assim, o esforço é recompensado por uma experiência considerada transformadora, de purificação física e espiritual.


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