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500 Mil – 1976 – Chipre, República

  • awada
  • 14 de ago. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de mar.

A “Questão Cipriota”: O impasse que o tempo não resolveu.




A imagem de uma pomba branca com um ramo de oliveira no bico é um símbolo de paz amplamente reconhecido. Embora esse emblema figure no brasão de armas da República do Chipre — como visto na cédula acima —, a realidade histórica e política da ilha está longe de refletir essa harmonia. A chamada “Questão Cipriota” diz respeito à complexa disputa envolvendo a República do Chipre e a Turquia, centrada na ocupação do norte da ilha. Trata-se de um conflito marcado por tensões recorrentes — e episódios de violência — entre as comunidades greco-cipriota (majoritária) e turco-cipriota (minoritária), cujas origens remontam à década de 1960. Durante o período colonial britânico, a questão cipriota era essencialmente um movimento de autodeterminação contra o domínio do Reino Unido. Com a independência, em 1960, surgiram novos desafios internos, especialmente devido às divergências entre as duas comunidades étnicas, agravadas pela oposição de parte dos turco-cipriotas ao novo arranjo político. A partir de 1963, confrontos intercomunitários intensificaram a instabilidade, transformando o antigo conflito colonial em uma disputa de natureza étnico-política. A situação ganhou dimensão internacional ao envolver diretamente potências como Turquia, Grécia e Reino Unido — países que, inclusive, figuravam como garantidores da independência cipriota — além da participação dos Estados Unidos e da mediação das Nações Unidas. O ponto de inflexão ocorreu em 1974, quando, após um golpe apoiado pela Grécia que visava à anexação da ilha, a Turquia interveio militarmente e passou a controlar o norte de Chipre. Essa ação foi amplamente condenada por resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Anos depois, em 1983, a liderança turco-cipriota proclamou unilateralmente a República Turca do Chipre do Norte (RTNC), reconhecida apenas pela Turquia. Desde então, a ilha permanece dividida. A Organização das Nações Unidas mantém uma zona-tampão conhecida como “Linha Verde”, que atravessa o território de leste a oeste, separando fisicamente as duas comunidades e reduzindo o risco de novos confrontos. Essa divisão também marca a capital, Nicósia, considerada a última capital dividida do mundo. No plano econômico e institucional, as diferenças também são evidentes: a República do Chipre integra a União Europeia e adotou o euro em 2008, enquanto o norte utiliza a lira turca e permanece isolada diplomaticamente. Assim, a presença da pomba da paz na cédula cipriota adquire um significado quase irônico — ou talvez aspiracional — refletindo não a realidade concreta da ilha, mas um ideal ainda distante, em meio a uma das disputas territoriais mais persistentes da contemporaneidade.

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