500 Kip– 1968 – Laos
- awada
- 23 de ago. de 2021
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Atualizado: 25 de jan.
Laos: A nação mais bombardeada na história da humanidade.


Esta cédula, cujo reverso retrata combatentes disparando contra aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos, foi emitida para circular nas áreas sob controle do grupo comunista Pathet Lao — “Terra do Laos” — fundado em 1950 com apoio do Viet Minh, liderado por Ho Chi Minh. O Pathet Lao iniciou uma guerra civil contra a monarquia constitucional que se estabeleceu após o Laos conquistar sua independência da França, em 1949. Com o início da Guerra do Vietnã, em meados da década de 1950, o Laos passou a integrar uma rota estratégica utilizada pelo Vietnã do Norte, com apoio soviético, para abastecer os vietcongues que combatiam o Vietnã do Sul, aliado dos Estados Unidos. Oficialmente, o país mantinha-se neutro — condição reafirmada nos Acordos de Genebra de 1962 —, mas o receio norte-americano de que o Laos caísse sob controle do Pathet Lao, aliado ao uso de seu território para operações militares norte-vietnamitas, levou Washington a iniciar uma contraofensiva não declarada. Essa ação secreta, conduzida pela CIA e conhecida como Operação Momentum, consistiu no armamento e treinamento de grupos étnicos do norte do Laos, especialmente os hmong, para combater o Pathet Lao. Como as incursões continuaram e os Estados Unidos não podiam empregar tropas terrestres de forma oficial, a alternativa adotada foi o bombardeio aéreo de alvos considerados estratégicos. A partir de 1964, aeronaves norte-americanas, incluindo bombardeiros B-52 baseados na Tailândia, passaram a lançar grandes quantidades de bombas, muitas delas de fragmentação, em missões mantidas em sigilo. Assim, um país formalmente neutro transformou-se em um dos mais intensos campos de batalha da Guerra Fria, no confronto indireto entre Estados Unidos e União Soviética. Estima-se que mais de dois milhões de toneladas de bombas tenham sido lançadas sobre o Laos — volume superior ao total empregado por todos os lados durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1975, cerca de um décimo da população laociana, aproximadamente 200 mil civis e militares, havia morrido, enquanto o dobro ficou ferido. Outros 750 mil habitantes, cerca de um quarto da população, tornaram-se refugiados. A tragédia, porém, não se encerrou com o fim do conflito. Desde 1964, mais de 50 mil laocianos foram mortos ou feridos por munições não detonadas, remanescentes dos bombardeios, sendo 98% das vítimas civis — um legado persistente e silencioso dessa guerra esquecida.


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