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500 Francs – 1994 – França

  • awada
  • 12 de abr. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de fev.

O amor na ciência: O casal que ajudou a mudar o mundo para melhor.



Marie Curie foi homenageada em duas cédulas emitidas pela Polônia, seu país de nascimento. A França, porém, também prestou o devido reconhecimento. Naturalizada francesa, Marie Curie (1867–1934) e seu marido, o físico francês Pierre Curie (1859–1906), realizaram em 1898 descobertas que revolucionariam para sempre a ciência: os elementos químicos polônio — nomeado em homenagem à terra natal de Marie — e rádio. De forma quase inacreditável, essas descobertas foram feitas em condições extremamente precárias. O casal trabalhava com grandes panelas apoiadas sobre um fogão que mal aquecia, instalado em um laboratório improvisado que mais parecia um celeiro. O espaço, situado nos fundos da modesta Escola Municipal de Física e Química de Paris, onde Pierre lecionava, havia sido cedido pela direção da instituição. Desse trabalho quase primitivo brotaram dois Prêmios Nobel: um concedido ao casal e outro, posteriormente, a Marie Curie, já viúva. Os intensos estudos com substâncias radioativas — cujos riscos eram completamente desconhecidos à época — cobraram um alto preço. Ambos apresentavam fadiga persistente, dores vagas e adoeciam com frequência. Pierre acreditava sofrer de reumatismo, enquanto Marie sentia dores intensas nas pontas dos dedos, que rachavam ao contato direto com as soluções radioativas que manipulava. Com suas descobertas vieram o reconhecimento científico e novas oportunidades. Pierre foi convidado a proferir uma conferência na prestigiosa Royal Society de Londres, então o mais elevado templo da ciência europeia. Marie recebeu menção honrosa ao apresentar sua tese de doutorado na Sorbonne. Em dezembro de 1903, a Academia Sueca concedeu o Prêmio Nobel de Física a Pierre e Marie Curie, compartilhado com Antoine-Henri Becquerel, pioneiro nos estudos da radioatividade. A trajetória desse prodigioso casal, contudo, foi marcada pela brevidade. Pierre morreu tragicamente aos 47 anos, atropelado por uma carruagem nas ruas de Paris. Marie, com a saúde profundamente debilitada após décadas de exposição à radiação, faleceu aos 66 anos em decorrência de uma anemia aplástica. Faltou-lhe apenas um ano de vida para testemunhar a consagração científica da filha, Irène Joliot-Curie (1897–1956), e do genro, Frédéric Joliot-Curie (1900–1958), que receberam, em 1935, o terceiro Prêmio Nobel da família Curie, desta vez em Química. Como epílogo dessa história singular, permanece uma frase da própria Marie Curie, que sintetiza tanto a parceria científica quanto a união pessoal do casal: “Nosso trabalho nos aproximou cada vez mais, até que nos convencemos de que nenhum de nós poderia encontrar um parceiro de vida melhor.”

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