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500 Francs – 1959-65 – Estados da África Ocidental (Senegal)

  • awada
  • 30 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de dez. de 2025

A lenda da Rainha Mãe e o destino de suas bela escultura.




A escultura retratada nesta cédula representa Idia, a primeira Rainha Mãe (Iyoba) do Reino do Benin, também conhecido como Reino Edo. Esse Estado africano floresceu por cerca de sete séculos, do século XIII ao XIX, dominando áreas da atual costa sul da África Ocidental. Ele não deve ser confundido com o país moderno chamado Benim, antigo Daomé, localizado mais a oeste. A partir do século XVI, os reis do Benin — conhecidos como obas — passaram a patrocinar ativamente oficinas reais de artesãos especializados na produção de esculturas figurativas em bronze fundido pelo método da cera perdida e em marfim esculpido. Essas obras eram instaladas em altares e santuários do palácio real, com a função de venerar ancestrais, celebrar obas falecidos, suas mães, além de chefes e guerreiros que sustentavam o poder do reino. Idia foi a mãe do Oba Esigie, que governou entre aproximadamente 1504 e 1550. Idia é reconhecida como a primeira rainha-mãe a exercer influência política formal no Reino do Benin. De acordo com tradições orais e relatos lendários, ela teria organizado forças próprias e recorrido a práticas medicinais e espirituais para proteger o reinado de seu filho e assegurar suas vitórias militares. A escultura, fundida em bronze por volta do ano 1700, apresenta Idia com o característico cocar régio cônico e curvo, adornado com motivos simbólicos, além das quatro escarificações verticais acima de cada sobrancelha, marcas corporais tradicionais associadas à identidade feminina e ao status social no Benin pré-colonial. O Reino do Benin chegou ao fim em 1897, quando tropas britânicas lançaram uma chamada “expedição punitiva” contra a capital do reino. O ataque ocorreu no contexto da expansão imperial europeia na África e resultou na destruição do palácio real, no exílio do oba e na incorporação definitiva do território à esfera colonial britânica, que mais tarde daria origem à Nigéria. Durante essa expedição, milhares de objetos cerimoniais e artísticos foram apreendidos pelas forças britânicas. Posteriormente, muitos deles foram leiloados pelo governo do Reino Unido, espalhando os chamados Bronzes do Benin por museus e coleções privadas em todo o mundo. A cabeça de bronze da Rainha Mãe Idia foi encontrada na atual Benin City, no sul da atual Nigéria, e integra hoje o acervo do British Museum, em Londres, para onde foi levada ainda em 1897. Considerada uma das mais emblemáticas obras da arte africana, a escultura de Idia é reconhecida internacionalmente como uma criação de excelência técnica e estética. Mais de três séculos após o artesão real verter o bronze fundido no molde que eternizou sua imagem — e mais de um século após sua retirada forçada da África — a Iyoba Idia continua a expressar, em silêncio, a força, a dignidade e a sofisticação cultural de um dos grandes reinos da África pré-colonial.

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