500 Fils – 1965 – Iêmen do Sul
- awada
- 14 de set. de 2021
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Atualizado: 29 de jan.
Iêmen do Sul: Do domínio britânico à república marxista.


A determinação de várias potências europeias, ao longo do século XIX e início do século XX, em estabelecer presença no Oriente Médio suscitou uma reação igualmente firme de outras potências atuantes na região. No caso do Iêmen, os protagonistas mais relevantes desse processo foram o Reino Unido, que ocupou o porto de Áden em 1839, e o Império Otomano, que, em meados do século XIX, reassumiu o controle do norte do país, de onde havia sido expulso cerca de dois séculos antes. Os interesses e a atuação dessas duas potências na bacia do Mar Vermelho e no território iemenita intensificaram-se de forma significativa após a abertura do Canal de Suez, em 1869, que transformou o Mar Vermelho em uma rota estratégica fundamental entre a Europa e o Leste Asiático. Em 1904, o aumento das tensões e confrontos entre britânicos e otomanos levou à assinatura de um tratado que delimitou as esferas de influência e estabeleceu, de fato, a fronteira entre o norte e o sul do Iêmen. Com a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, suas forças se retiraram da região em 1918, permitindo o surgimento de um Estado independente no norte, inicialmente organizado como o Reino Mutavaquilita do Iêmen e posteriormente como a República Árabe do Iêmen. Os britânicos, por sua vez, mantiveram o controle do sul, área que passou a ser conhecida como Iêmen do Sul e que consideravam estratégica tanto do ponto de vista militar quanto econômico. A cédula apresentada pertence a esse período de domínio britânico. O estabelecimento de um Estado independente no norte serviu como forte estímulo aos movimentos nacionalistas e pró-independência no sul. Em 1967, tais movimentos triunfaram, levando o Reino Unido a reconhecer a inevitabilidade da descolonização e a retirar-se da região. O novo Estado adotou inicialmente o nome de República Popular do Iêmen do Sul. Com recursos naturais limitados e isolado diplomaticamente, sem obter apoio substancial nem dos países ocidentais nem do mundo árabe, o novo governo aproximou-se da União Soviética, que passou a fornecer assistência econômica, militar e técnica, buscando incorporar um Estado árabe à sua esfera de influência. No início da década de 1970, o país assumiu oficialmente uma orientação marxista-leninista, passando a chamar-se República Democrática Popular do Iêmen. Com a existência de dois Estados iemenitas independentes, cresceram as expectativas de unificação, especialmente porque ambos declaravam apoiar essa ideia. O processo, no entanto, só se concretizou em 1990, resultando na criação da atual República do Iêmen, em um contexto marcado tanto pela recente descoberta de petróleo e gás natural nos dois territórios quanto pelo colapso iminente da União Soviética.


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