500 Escudos – 1989 – Cabo Verde & 5.000 Pesos – 1990– Guiné-Bissau
- awada
- 24 de out. de 2021
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Atualizado: 14 de fev.
Amílcar Cabral: O arquiteto da independência de duas nações.




As cédulas acima da Guiné-Bissau e de Cabo Verde homenageiam a mesma figura histórica: Amílcar Cabral (1924–1973). Trata-se de um dos raros personagens celebrados oficialmente por dois países distintos em razão de uma causa comum — a luta pela independência das então colônias portuguesas da Guiné e de Cabo Verde. Nascido em Bafatá, na então Guiné Portuguesa (atual Guiné-Bissau), filho de pais cabo-verdianos, Cabral passou parte significativa da juventude em Cabo Verde antes de seguir para Lisboa, onde estudou agronomia. Em 1956, foi um dos fundadores do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), organização que defendia a emancipação conjunta dos dois territórios. Após anos de mobilização política e tentativas frustradas de negociação, o PAIGC iniciou, em 1963, a luta armada na Guiné Portuguesa. O conflito inseriu-se no contexto mais amplo das guerras coloniais travadas por Portugal na África. Paralelamente à frente militar, Cabral destacou-se por sua intensa atuação diplomática, levando a causa independentista às Nações Unidas e obtendo reconhecimento e apoio internacional. No final da década de 1960 e início dos anos 1970, o PAIGC já controlava extensas áreas do território guineense, estabelecendo estruturas administrativas próprias. Quando a vitória militar e diplomática parecia próxima, Cabral foi assassinado em janeiro de 1973, em Conacri, na vizinha Guiné, onde o movimento mantinha sua base externa. O crime foi cometido por dissidentes ligados ao próprio PAIGC, em circunstâncias que ainda suscitam debates históricos. Oito meses depois, em setembro de 1973, o PAIGC proclamou unilateralmente a independência da Guiné-Bissau, reconhecida por Portugal apenas após a Revolução dos Cravos, em setembro de 1974. Em Cabo Verde, diferentemente do que ocorreu na Guiné-Bissau, não houve guerra de guerrilha em seu território. Ainda assim, o processo político esteve ligado ao mesmo projeto liderado por Cabral. No reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, Portugal comprometeu-se também com o direito de autodeterminação de Cabo Verde. Apesar de haver setores portugueses que viam o arquipélago como culturalmente mais próximo da metrópole e de existir debate interno entre os cabo-verdianos sobre o futuro político, prevaleceu a via negociada. Um governo de transição foi formado e, em julho de 1975, Cabo Verde tornou-se independente.


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