500 Dinars – 1998 – Argélia
- awada
- 6 de dez. de 2023
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Atualizado: 11 de jan.
“Delenda est Carthago” (Cartago deve ser destruída): Frase proferida pelo senador romano Catão, o Velho.


A cédula acima retrata tropas cartaginesas avançando sobre o exército romano com o uso de elefantes de guerra, uma imagem emblemática das chamadas Guerras Púnicas, três grandes conflitos travados entre a República Romana e a República de Cartago entre os séculos III e II a.C. O termo “púnico” deriva do nome dado pelos romanos aos cartagineses — Punici, de Poenici, referência à sua origem fenícia. Cartago, a capital da civilização cartaginesa, estava localizada na margem oriental do lago de Túnis, na região onde hoje se encontra a capital da Tunísia. A partir dessa cidade-estado, Cartago construiu um vasto império comercial e marítimo que se estendia por partes da atual Península Ibérica (Portugal e Espanha), do norte da África (Tunísia, Argélia e Marrocos) e por importantes ilhas do Mediterrâneo, como Sicília, Sardenha e Córsega. No início do século III a.C., Roma e Cartago eram as duas principais potências do Mediterrâneo Ocidental. As Guerras Púnicas constituíram o mais longo e destrutivo conflito da Antiguidade, marcado por enormes perdas humanas e materiais. Sua causa fundamental foi a rivalidade entre Roma e Cartago pela hegemonia econômica, política e militar, inicialmente na Sicília e, posteriormente, em todo o Mediterrâneo Ocidental — uma região vital para o comércio e o transporte de mercadorias da época. A Primeira Guerra Púnica (264–241 a.C.) teve caráter predominantemente naval. Ao final do conflito, Roma saiu vitoriosa e conquistou a Sicília, além de posteriormente anexar a Córsega e a Sardenha, dando seus primeiros passos como potência marítima. A Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.) ficou marcada pela célebre campanha de Aníbal, que atravessou os Pirineus e os Alpes com seu exército e elefantes de guerra para atacar Roma em seu próprio território. Apesar de sucessivas derrotas romanas em batalhas como Trébia, Trasimeno e Canas, Roma resistiu, reorganizou-se e, ao final, venceu o conflito, assumindo o controle da Península Ibérica e enfraquecendo decisivamente Cartago. Na Terceira Guerra Púnica (149–146 a.C.), Roma já não buscava apenas a supremacia, mas a eliminação definitiva de sua rival. A cidade de Cartago foi sitiada, tomada e completamente destruída. Seus sobreviventes foram escravizados e, segundo a tradição histórica, a cidade foi incendiada e suas terras simbolicamente amaldiçoadas para impedir qualquer reconstrução. Com isso, Roma consolidou seu domínio sobre grande parte do Mediterrâneo, que passou a ser chamado de Mare Nostrum. Esses conflitos moldaram de forma decisiva o curso da história. A destruição de Cartago abriu caminho para a expansão romana e para a formação de um império que influenciaria profundamente o direito, a política, a cultura e a organização social do mundo ocidental. As Guerras Púnicas mostram como disputas por poder e recursos podem redefinir civilizações inteiras, deixando claro que, muitas vezes, os rumos da história são determinados não apenas pela vitória, mas pelas profundas transformações geradas pelo conflito.


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