500, 5.000 e 10.000 Francs – 1977-92 – Estados da África Ocidental (Costa do Marfim)
- awada
- 3 de jun. de 2022
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Atualizado: 19 de mar.
Tratados, exploração e controle: como a Costa do Marfim foi colonizada.






O continente africano, situado entre a Europa e os imaginados tesouros do Extremo Oriente, rapidamente se tornou um dos principais destinos das expedições marítimas europeias a partir do século XV. Os portugueses foram os primeiros europeus a explorar sistematicamente a costa da África Ocidental, seguidos por outras potências marítimas, que gradualmente estabeleceram relações comerciais com diversos povos costeiros. Inicialmente, esse comércio envolvia produtos como ouro, marfim e pimenta. Contudo, a partir do século XVI, com a expansão das colônias americanas, cresceu significativamente a demanda por mão de obra escravizada, impulsionando o tráfico transatlântico de africanos. Nesse contexto, líderes locais, muitas vezes por meio de alianças e tratados com europeus, passaram a trocar prisioneiros de guerra e cativos do interior por mercadorias estrangeiras. A região que viria a ser conhecida como Costa do Marfim compartilhou dessas dinâmicas gerais da África Ocidental, embora apresentasse particularidades importantes. A ausência de portos naturais profundos e seguros ao longo de sua costa dificultou o estabelecimento de entrepostos comerciais permanentes por parte dos europeus. Como resultado, o tráfico de escravos teve, ali, um impacto relativamente mais limitado quando comparado a outras áreas costeiras mais acessíveis. Por outro lado, o comércio de marfim — que daria nome à região — ganhou destaque sobretudo a partir do século XVII. Essa atividade, porém, levou a uma exploração intensiva das populações de elefantes, provocando um declínio acentuado que contribuiu para o enfraquecimento do próprio comércio já no início do século XVIII. Embora haja registro de uma viagem francesa à África Ocidental em 1483, foi apenas em meados do século XIX que a França consolidou sua presença na região, passando a denominá-la Côte d’Ivoire. Esse movimento ocorreu em um contexto mais amplo de expansão imperial europeia, formalizado na Conferência de Berlim, quando as potências europeias estabeleceram regras para a ocupação e divisão do continente africano, exigindo a chamada “ocupação efetiva” dos territórios reivindicados. Cinco anos depois, esse princípio foi estendido ao interior do continente, desencadeando uma intensa disputa territorial entre potências como França, Grã-Bretanha, Portugal e Bélgica. Durante esse processo, muitos governantes africanos subestimaram a extensão das ambições europeias ou foram induzidos a assinar tratados cujo conteúdo não compreendiam plenamente. Em diversos casos, acreditavam que alianças com europeus poderiam fortalecer sua posição em conflitos locais ou garantir vantagens econômicas. Foi nesse contexto que, em 1893, a Costa do Marfim tornou-se oficialmente uma colônia francesa. A independência plena do país só seria alcançada em 1960. Quanto aos elefantes, cuja exploração histórica deu nome à região, sua situação tornou-se ainda mais crítica ao longo do tempo. De uma população estimada entre três e cinco mil indivíduos no início do século XX nas áreas protegidas do país, restavam, em 2017, apenas cerca de 225 elefantes vivendo em estado selvagem. Atualmente, a principal ameaça à espécie é a perda de habitat causada pela expansão humana, apesar da existência de áreas legalmente protegidas. Classificados como criticamente ameaçados de extinção, o futuro desses animais depende diretamente do fortalecimento das políticas de conservação, do combate efetivo ao tráfico de marfim e da preservação dos últimos remanescentes florestais do país.


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