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50 Syrian Pounds – 2009 – Síria

  • awada
  • 6 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de jan.

Alfabeto: Uma das mais duradoras e transformadoras invenções da civilização.



A história do alfabeto é um campo de estudo em constante revisão e permeado por debates acadêmicos. De modo geral, aceita-se que os primeiros sistemas alfabéticos surgiram cerca de um milênio após o aparecimento das escritas hieroglífica, no Antigo Egito, e cuneiforme, na Mesopotâmia, ambas essencialmente logossilábicas. Esses sistemas mais antigos eram eficazes para registros administrativos e religiosos, mas exigiam o domínio de centenas de sinais. Atualmente, o alfabeto mais utilizado no mundo ocidental é o latino, derivado do alfabeto grego. O grego é tradicionalmente considerado o primeiro “alfabeto verdadeiro”, por ter sido o primeiro sistema a representar de forma sistemática tanto consoantes quanto vogais. Esse avanço decisivo ocorreu quando os gregos adaptaram o alfabeto fenício — um sistema consonantal, ou abjad, no qual as vogais não são explicitamente indicadas — reinterpretando alguns sinais consonantais inexistentes em sua língua como vogais. O alfabeto fenício, por sua vez, teve origem em sistemas alfabéticos semíticos ainda mais antigos, desenvolvidos no Levante durante o segundo milênio a.C. Nesse contexto, destaca-se o alfabeto ugarítico, uma escrita singular que combina princípios alfabéticos com a técnica cuneiforme. As tabuletas retratadas nesta cédula remetem às descobertas arqueológicas da antiga cidade de Ugarit (atual Ras Shamra, no norte da Síria), onde foram encontradas milhares de tabuletas de argila contendo textos administrativos, literários e religiosos. O ugarítico era uma língua semítica hoje extinta e utilizava um alfabeto cuneiforme composto por cerca de 30 sinais. Inicialmente classificado como um alfabeto puramente consonantal, estudos posteriores demonstraram que ele incluía três sinais vocálicos distintos, correspondentes aproximadamente aos sons a, i e u. Essa característica faz com que o ugarítico seja considerado, por muitos pesquisadores, o mais antigo alfabeto conhecido a representar explicitamente vogais, ainda que de forma limitada, anterior inclusive ao alfabeto grego. A escrita cuneiforme, empregada tanto em Ugarit quanto em outras regiões do Antigo Oriente Próximo, consistia na impressão de marcas em forma de cunha sobre tabuletas de argila crua, utilizando um estilete. Dependendo da finalidade do registro, essas tabuletas podiam ser reutilizadas ou cozidas em fornos, garantindo sua preservação por milênios. O desenvolvimento do alfabeto representa um dos maiores saltos intelectuais da história humana: a transformação da linguagem falada em um conjunto reduzido e abstrato de sinais, acessíveis a um número cada vez maior de pessoas. Essa engenhosidade não apenas simplificou a escrita e a transmissão do conhecimento, como também impulsionou a administração, o comércio, a literatura e a ciência. Das tabuletas de argila do antigo Levante às letras que hoje moldam a comunicação global, o alfabeto permanece como uma das mais duradouras e transformadoras invenções da civilização.

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