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50 Schillings – 1970 – Áustria

22 de fev. de 2021
2 min de leitura

Atualizado: 13 de out.

O último ato de Ferdinand Raimund: a tragédia escrita pelo medo. 




Ferdinand Raimund (1790–1836) foi um ator e dramaturgo austríaco, autor de inúmeras peças para teatro que o tornou famoso no início do século XIX e que ainda hoje são frequentemente apresentadas na Alemanha e na Áustria, especialmente no Burgtheater, o teatro nacional austríaco e germanófono visto no reverso da cédula. Mas o que chama a atenção é a vida relativamente curta do personagem – morreu com apenas 46 anos e teve uma morte das mais trágicas e paradoxais da história do teatro austríaco, um caso onde imaginação e realidade se confundiram de forma fatal. Em 29 de agosto de 1836, durante uma viagem na Áustria, Raimund foi mordido por um cão que havia escapado de uma propriedade. O animal, embora não aparentasse estar doente, deixou o dramaturgo profundamente aflito. Raimund, que era conhecido por um temperamento sensível e por crises de ansiedade, entrou em pânico absoluto diante da possibilidade de ter contraído raiva (hidrofobia), uma doença praticamente incurável na época. A ciência médica no início do século XIX não tinha meios eficazes para diagnosticar ou tratar a raiva, e a doença era cercada de mitos e um terror quase supersticioso. Raimund passou a interpretar qualquer sensação física como sintoma da raiva. O medo se transformou em convicção. Dominado por essa angústia, poucos dias depois da mordida, o dramaturgo tentou suicídio com um tiro em si próprio, acreditando estar poupando a si mesmo de uma morte horrível e àqueles à sua volta do risco de contágio. Ele sobreviveu ao disparo, mas morreu alguns dias depois, em consequência dos ferimentos e de infecções secundárias. A ironia trágica: o cachorro realmente não tinha raiva, e Raimund não havia contraído nenhuma doença. Morreu por causa de um medo imaginado — um drama que ele próprio teria podido escrever em uma de suas peças. Isto traz à reflexão um milenar dilema humano – temos uma hora certa para morrer?

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