50 Rubley– 1991 – União Soviética
- awada
- 13 de ago. de 2021
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Atualizado: 23 de jan.
1991: O último rublo da União Soviética.


Esta cédula pertence à derradeira emissão do Banco Estatal da União Soviética, o Gosbank, realizada em 1991. Em 26 de dezembro daquele ano, uma declaração aprovada pelo Soviete Supremo — mais precisamente pela Câmara das Repúblicas — reconheceu formalmente a dissolução da União Soviética e a independência de suas antigas repúblicas. No dia anterior, 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbatchov (1931–2022), oitavo e último líder da URSS, anunciou sua renúncia, declarando extinto o cargo de presidente soviético e transferindo suas prerrogativas, incluindo o controle dos códigos do arsenal nuclear estratégico, ao presidente da Federação Russa, Boris Iéltsin. Naquela mesma noite, às 19h32, a bandeira vermelha da União Soviética foi arriada pela última vez no Kremlin, em Moscou, sendo substituída pela bandeira tricolor russa de origem pré-revolucionária. Meses antes, as repúblicas soviéticas já vinham proclamando sua soberania ou independência de forma individual — inclusive a própria Rússia, que havia iniciado esse processo ainda em 1990. Na semana que antecedeu a dissolução formal, 11 repúblicas — Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão — assinaram o Protocolo de Alma-Ata, que estabeleceu a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e declarou que a União Soviética havia deixado de existir como sujeito de direito internacional. A CEI foi concebida como uma associação política frouxa, sem prever uma união monetária ou alfandegária efetiva. Os Estados bálticos — Estônia, Letônia e Lituânia — recusaram-se a integrar o novo bloco, optando por um alinhamento direto com o Ocidente; posteriormente, ingressaram tanto na OTAN quanto na União Europeia, em 2004. A Geórgia aderiu à CEI apenas em 1993, retirando-se em 2009, enquanto a Ucrânia passou a se desligar progressivamente de suas estruturas a partir de 2014, formalizando seu afastamento institucional em 2018. As causas do colapso soviético permanecem objeto de intenso debate, envolvendo fatores ideológicos, econômicos, políticos e sociais. Entre os efeitos positivos, destaca-se o encerramento da Guerra Fria e da confrontação sistêmica com os Estados Unidos e seus aliados. Em contrapartida, a dissolução da URSS desencadeou uma profunda crise econômica e social em grande parte do espaço pós-soviético. Décadas depois, apenas uma parcela reduzida desses Estados conseguiu convergir de forma consistente para os padrões econômicos do Ocidente, enquanto muitos ainda enfrentam dificuldades estruturais que deverão levar gerações para serem superadas.


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