50 Rials – 1979 – Irã
- awada
- 21 de jun. de 2021
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Atualizado: 14 de jan.
Quando o retrato de um soberano se torna inconveniente para o país.



O desenho e a impressão de papel-moeda são processos que, em regra, não podem ser realizados às pressas. Por esse motivo, as sobreimpressões — isto é, impressões adicionadas posteriormente à face de uma cédula, como textos, grafismos ou carimbos — tornam-se relativamente comuns em situações de emergência. Elas são empregadas principalmente em períodos de instabilidade econômica ou inflacionária, quando a autoridade monetária precisa se adaptar rapidamente a um novo padrão monetário. Foi o que ocorreu no Brasil ao longo da segunda metade do século XX, com sucessivas mudanças da base monetária que exigiram a aplicação de carimbos para a implantação do cruzeiro novo (1966), do cruzado (1986), do cruzado novo (1989), do cruzeiro (1990) e, finalmente, do cruzeiro real (1993). Ocorre que muitas cédulas modernas retratam o chefe de Estado de um país e, em contextos de mudanças políticas abruptas, isso pode se tornar um problema para o novo regime. Foi exatamente o que aconteceu durante a Revolução Iraniana de 1978–1979. O xá Mohammad Reza Pahlavi (1919–1980), retratado nesta cédula, foi o monarca do Irã entre 1941 e 1979. O país, conhecido internacionalmente como Pérsia até então, passou a adotar oficialmente o nome Irã em 1934, por decisão de seu pai, o xá Reza Pahlavi (1878–1944). Em 1979, Mohammad Reza Pahlavi foi deposto pelas forças islâmicas lideradas pelo aiatolá Ruhollah Khomeini (1901–1989) e forçado a deixar o país. Sem condições de providenciar, em curto prazo, uma nova emissão de papel-moeda, o Banco Central iraniano adotou uma medida temporária, porém drástica: o retrato do xá foi obliterado por um denso padrão de arabescos pretos. Até mesmo a marca-d’água, que também exibia sua efígie, recebeu uma sobreimpressão com o nome da recém-proclamada República Islâmica do Irã. Após mais de 44 anos com os retratos dos Pahlavi — pai e filho — estampando as cédulas iranianas, novos desenhos foram introduzidos em 1981, já sem a presença incômoda dos antigos monarcas. O episódio ilustra de forma eloquente como a imagem de personagens públicos, outrora símbolo máximo de poder e permanência, pode se tornar rapidamente indesejável e efêmera, apagada ou ocultada pelo simples avanço do tempo e pelas mudanças inevitáveis da história.


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