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50 Pfennig – 1921 – Alemanha (República de Weimar)

  • awada
  • 21 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de nov.

O bobo, o burrico e a economia desvairada: a sátira de Wittgensdorf em tempos de notgeld.


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Em 1921, quando Wittgensdorf lançou sua série de Notgeld, a Alemanha vivia um tempo de contrastes brutais: pobreza crescente de um lado, circulação de montanhas de papel-moeda do outro. A vila, pequena mas espirituosa, decidiu traduzir essa contradição por meio de uma imagem ao mesmo tempo grotesca, irônica e profundamente simbólica. No anverso das cédulas, em vez de heróis ou alegorias clássicas, aparecia um bobo da corte — figura tradicional da sátira medieval — montado num burrico visivelmente exausto. Mas não era um animal comum: dele jorrava dinheiro, escorrendo pela boca e pelas entranhas, como se o pobre animal fosse uma máquina absurda de fabricar dinheiro. À sua volta, personagens simples do povo olhavam a cena com uma mistura de surpresa, resignação e cômico desconforto, como quem testemunha um espetáculo ao mesmo tempo ridículo e profundamente verdadeiro. A imagem era uma crítica direta à situação da época: o dinheiro, multiplicado artificialmente, parecia surgir de todos os cantos — às vezes literalmente “fabricado” sem lastro — enquanto seu valor caía dia após dia. O bobo, sentado orgulhoso no burrico miserável, simbolizava os governantes e autoridades que tentavam aparentar controle, embora estivessem, na prática, montados num sistema totalmente descontrolado. O animal, sofrendo enquanto expelia riqueza, representava a economia alemã: forçada a emitir dinheiro para sustentar a crise, exaurida e cada vez mais frágil. O humor caricatural suavizava a crítica, mas não escondia a gravidade da mensagem. O reverso das cédulas, porém, mostrava outra face da comunidade. Lá estavam os jovens, as famílias, os trabalhadores, as paisagens — a vida real que persistia apesar do caos monetário. As cenas rurais, festivas e campestres lembravam que Wittgensdorf permanecia ancorada naquilo que não inflacionava: o trabalho, a cultura local, a solidariedade entre vizinhos e o ritmo constante das estações. A vila parecia dizer: enquanto o dinheiro perde o sentido, isso aqui continua. Assim, as cédulas teciam uma narrativa dupla. O anverso denunciava, com humor ácido, a insanidade econômica da República de Weimar; o reverso celebrava a permanência das tradições e da comunidade, como um contrapeso ao mundo em colapso.

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