50 Pesos – 2015 – Argentina
- awada
- 20 de fev. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de dez. de 2025
Uma história controvertida: Para uns herói nacional, para outros assassino sanguinário!


Antonio Rivero (1808–1845), também conhecido como Gaúcho Rivero, tornou-se uma figura controversa da história argentina ao liderar, em 26 de agosto de 1833, uma rebelião contra o domínio britânico no assentamento de Port Louis, nas Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos). Esse episódio ocorreu poucos meses após a retomada das ilhas pelo Reino Unido, quando a soberania do arquipélago ainda era um tema incerto e disputado. Na Argentina, Rivero foi posteriormente elevado à condição de herói popular e símbolo de resistência nacional, sendo homenageado, entre outras formas, nesta cédula. Entretanto, a realidade histórica do levante é mais complexa e sombria. Rivero e outros gaúchos assassinaram cinco líderes do assentamento local — entre eles administradores e colonos ligados à autoridade britânica — em um episódio violento conhecido na historiografia britânica como os “Assassinatos de Port Louis”. A rebelião não teve um caráter militar organizado nem contou com apoio estatal argentino direto, sendo interpretada por alguns historiadores mais como um motim social e econômico do que como um levante nacionalista estruturado. Capturado posteriormente pelo comandante de um navio de guerra britânico, Rivero foi enviado a Londres. Contudo, não pôde ser julgado, pois, à época, o Tribunal da Coroa Britânica reconheceu não possuir jurisdição formal sobre as ilhas. Ele acabou sendo deportado para o Rio de Janeiro e, mais tarde, retornou à região do Rio da Prata, desaparecendo gradualmente dos registros históricos. Em sua homenagem, entre 2011 e 2012, todas as legislaturas das províncias argentinas banhadas pelo Oceano Atlântico sancionaram a chamada Lei Antonio Rivero, que proíbe a atracação, amarração e abastecimento, em seus portos, de navios com a bandeira das Ilhas Malvinas, do Reino Unido ou de outras colônias britânicas. Já em 2013, um plebiscito realizado entre os habitantes das ilhas resultou em 99,8% dos votantes favoráveis à permanência do território sob soberania britânica. A cédula retrata, no anverso, o mapa das Ilhas Malvinas/Falklands. No reverso, apresenta Antonio Rivero a cavalo, empunhando a bandeira argentina, tendo ao fundo o cemitério argentino de Darwin e o cruzador leve General Belgrano, afundado pela Marinha britânica durante a Guerra das Malvinas, em 1982. Ao reunir símbolos de rebeldia, memória dos mortos e perdas militares, a nota evidencia como a disputa entre Argentina e Grã-Bretanha extrapola o campo jurídico e territorial, tornando-se um embate de narrativas, identidades e memórias nacionais. Mais do que um conflito resolvido por tratados ou plebiscitos, as Malvinas permanecem como uma ferida histórica aberta, na qual cada lado reivindica legitimidade, enquanto o diálogo político segue eclipsado por símbolos, ressentimentos e versões opostas do passado.


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