50 Pesetas – 1928 – Espanha
- awada
- 7 de dez. de 2021
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Atualizado: 23 de fev.
Spínola e Nassau: Um encontro que virou uma obra-prima.


A cédula acima traz como tema a célebre pintura A Rendição de Breda, realizada em 1635 pelo mestre espanhol Diego Velázquez. O anverso apresenta o retrato do artista, enquanto o verso reproduz a obra que imortalizou um dos episódios mais emblemáticos da Guerra dos Oitenta Anos (1568–1648). O pano de fundo histórico da pintura é o conflito em que as províncias dos Países Baixos Espanhóis, lideradas pela Casa de Orange, lutaram por sua independência da Espanha. Em 1590, Maurício de Orange conquistou a cidade de Breda, então sob domínio espanhol. Somente em 1625, após o fim de uma longa trégua, o rei Filipe IV de Espanha organizou um poderoso exército de cerca de 30 mil homens para retomar a cidade, confiando o comando ao experiente general genovês Ambrósio de Spinola. Breda, defendida por Justino de Nassau, foi cercada pelas forças espanholas, cuja estratégia consistiu em cortar o abastecimento de víveres e munições. Entre as ações mais eficazes esteve o alagamento dos terrenos ao redor da cidade, dificultando qualquer tentativa de socorro. A resistência holandesa foi tenaz e prolongada, mas, ao final, a guarnição teve de capitular. A rendição, contudo, foi honrosa. O exército espanhol permitiu que as tropas derrotadas deixassem a cidade em formação militar, portando suas bandeiras, num gesto de reconhecimento e respeito. Spinola determinou que os vencidos fossem tratados com dignidade — atitude rara em representações tradicionais de vitórias militares. É justamente esse momento que Velázquez escolheu capturar em sua obra. No centro da composição, Spinola e Justino de Nassau parecem dialogar cordialmente. O comandante holandês segura as chaves de Breda e ensaia ajoelhar-se para entregá-la, mas é impedido por Spinola, que lhe coloca a mão no ombro, evitando tal humilhação. A cena rompe com a iconografia habitual da época, que costumava exaltar o vencedor sobre o derrotado de forma triunfalista. Aqui, a vitória é marcada pela magnanimidade. A obra foi destinada ao Salão de Reinos do antigo Palácio do Bom Retiro, em Madri, espaço concebido para celebrar as glórias militares do reinado de Filipe IV. Curiosamente, Velázquez deixou um pequeno espaço em branco no canto inferior direito da tela, provavelmente reservado para data e assinatura. Como em tantas outras de suas obras, porém, nunca o preencheu — um detalhe que apenas reforça o caráter enigmático e refinado de sua produção artística.


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