50 New Dollars – 1999 – Taiwan
Atualizado: há 3 dias
A inovação nesta cédula foi retratar nela outras duas!


A Guerra Civil Chinesa (1927-1949) foi um longo e sangrento conflito travado entre o governo nacionalista da República da China dirigido pelo partido Kuomintang, liderado por Chiang Kai-shek, e o Partido Comunista Chinês, liderado por Mao Tsé-Tung. Em 1 de outubro de 1949, diante da iminente vitória militar, Mao Tsé-Tung proclamou em Pequim a criação da República Popular da China. Derrotado no continente, Chiang Kai-shek e cerca de dois milhões de soldados, funcionários públicos e refugiados nacionalistas retiraram-se para a ilha de Taiwan. Lá, eles mantiveram a continuidade da República da China, sob a proteção naval dos Estados Unidos. Como não houve a assinatura de um tratado formal de paz, a Guerra Civil Chinesa resultou no status político complexo que ainda hoje testemunhamos no Estreito de Taiwan: duas entidades governamentais separadas que reivindicam a legitimidade histórica sobre a soberania da China. A República da China foi um dos cinco membros fundadores da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945, estabelecida logo após o fim da Segunda Guerra Mundial para substituir a Liga das Nações e evitar novos conflitos globais. A representatividade chinesa na Assembleia Geral da ONU, com assento permanente no Conselho de Segurança e com direito a veto, foi ocupado pela República da China até o dia 25 de outubro de 1971, data da Resolução 2758, quando a República Popular da China substituiu a República da China em todas as instâncias da ONU, inclusive no Conselho de Segurança. Foram 76 votos favoráveis, 35 contrários e 17 abstenções, com três países sem votar. A resolução reconheceu os representantes do governo da República Popular da China como os únicos representantes legítimos da China na ONU e determinou a expulsão dos representantes de Chiang Kai-shek da organização. Desde 1991, a República da China tem feito repetidas petições para sua reinclusão na ONU, como representante da população de Taiwan em vez de toda a população chinesa, usando a designação República da China em Taiwan, República da China (Taiwan) ou apenas Taiwan. No entanto, todas as tentativas foram negadas, ora porque o pedido não conseguia votos suficientes para a agenda ora porque ela era rejeitada pelo poder de veto da República Popular da China. É importante porém observar que a resolução tratou da representação da China na ONU. Seu texto não declarou expressamente que Taiwan pertence à República Popular da China. Essa distinção está no centro da controvérsia diplomática contemporânea. O governo de Pequim considera Taiwan parte integrante de seu território e sustenta que a resolução de 1971 abrange toda a China, incluindo a ilha. Do outro lado, Taiwan não é membro da ONU, não possui assento na Assembleia Geral nem representação própria no Conselho de Segurança, mas mantém governo, instituições políticas e administração próprios. O episódio ilustra como a diplomacia internacional pode definir quem representa um país dentro de uma instituição sem necessariamente eliminar todas as divergências políticas e territoriais existentes. Em síntese, desde 1971 a China tem um assento na ONU; Taiwan, apesar de sua autonomia de fato, não tem o seu próprio. A cédula acima comemora o aniversário de 50 anos de Taiwan (1949-1999). Ela tem sua particularidade por apresentar a imagem de outras duas antigas cédulas com o retrato de Sun Yat-sen, o líder revolucionário que teve papel fundamental na derrubada da Dinastia Quing em 1911, a última dinastia imperial da China.

