50 Gulden – 1982 – Holanda 100.000 Dinara – 1993 – Iugoslávia 5 Sudanese Dinars – 1993 – Sudão
- awada
- 1 de jun. de 2022
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Atualizado: 16 de mar.
Do sol das Américas ao mundo: A curiosa jornada do girassol.






O girassol comum, Helianthus annuus, tem seu nome derivado das palavras gregas helios (Sol) e anthos (flor). Daí vem também o nome em inglês sunflower. Em português, tornou-se girassol devido ao seu comportamento heliotrópico — a capacidade de mudar a orientação de suas partes em resposta à luz do Sol. O girassol é valioso tanto do ponto de vista ornamental quanto econômico. Suas folhas podem ser usadas como forragem, suas flores produzem um corante amarelo, e as sementes, ricas em óleo, são amplamente utilizadas na alimentação. Além do uso culinário, o óleo amarelo e suave obtido por compressão a frio das sementes é rico em vitamina E, apresentando propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e hidratantes. Por isso, também é empregado em produtos cosméticos e medicinais. O óleo de girassol ainda tem aplicações industriais, sendo utilizado na fabricação de sabões, tintas e lubrificantes. As sementes por sua vez podem ser consumidas secas, assadas ou moídas, além de constituírem uma ração comum para pássaros. Mas de onde veio, afinal, essa dádiva da natureza? Provavelmente as cédulas mais conhecidas que exibem imagens de girassóis são as vistas acima, emitidas pela Holanda, pela antiga Iugoslávia e pelo Sudão. No entanto, a verdadeira origem da planta está longe tanto da Europa quanto da África. O girassol é nativo da América do Norte e da América Central. Evidências arqueológicas indicam que povos nativos americanos já o cultivavam por volta de 1000 a.C.. Ao longo de gerações, esses povos transformaram a forma selvagem original — de caules espessos e múltiplas flores — em uma planta de caule único com uma grande inflorescência central. As sementes moídas produziam farinha para pães e bolos; torradas e abertas, eram consumidas inteiras, muitas vezes misturadas a outros grãos em preparações semelhantes a granola. Os nativos também descobriram que o óleo extraído das sementes podia ser utilizado na culinária. Pesquisas arqueológicas mostram ainda que o girassol possuía diversos usos não alimentares. O óleo e os pigmentos da flor eram aplicados como protetor solar ou como base para tinturas usadas na pele, no cabelo e em tecidos. Já o caule fibroso e resistente era aproveitado na construção de moradias. Foi apenas no início do século XVI que os europeus tiveram contato com a planta. Por volta de 1510, exploradores espanhóis recolheram sementes de girassol na América e as levaram para a Europa. Durante cerca de dois séculos, porém, os europeus ignoraram seu potencial alimentar. A planta passou a ser cultivada sobretudo como ornamento exótico nos jardins da Europa Ocidental e, em menor grau, utilizada medicinalmente como anti-inflamatório. Somente no século XIX surgiram, na Rússia e na Ucrânia, extensas plantações destinadas à produção de óleo de girassol. Esse desenvolvimento ocorreu, em parte, devido a uma curiosa circunstância religiosa. Um século antes, a Igreja Ortodoxa Russa havia proibido, durante a Quaresma, o consumo de alimentos preparados com diversos tipos de óleos e gorduras. Para orientar os fiéis, publicou uma lista dessas substâncias — mas o óleo de girassol não foi incluído nela. A consequência foi um aumento expressivo da demanda, levando à rápida expansão das áreas cultivadas na Rússia e na Ucrânia. Foi também nessa região que surgiram os primeiros programas sistemáticos de pesquisa para desenvolver variedades de alto rendimento, capazes de atender tanto ao mercado de óleo quanto à produção de sementes para alimentação animal. Posteriormente, híbridos de girassol melhorados atravessaram novamente o Atlântico, retornando à América do Norte com a imigração de agricultores da Europa Oriental. Nos Estados Unidos, o sucesso do girassol como ração animal impulsionou a expansão da área plantada, e novas oportunidades de mercado surgiram. A partir de meados da década de 1920, instalaram-se unidades industriais dedicadas ao processamento do óleo. Avanços posteriores no desenvolvimento de híbridos mais produtivos e resistentes coincidiram com uma mudança na percepção pública sobre alimentação saudável. Pesquisas realizadas na década de 1970 mostraram que o óleo de girassol representava uma alternativa mais saudável às gorduras saturadas tradicionalmente utilizadas na dieta. Hoje, o óleo de girassol é considerado um produto “premium”, graças à sua cor clara, ao elevado teor de ácidos graxos insaturados, ao sabor suave e à baixa produção de fumaça quando aquecido — características que o tornam um dos óleos mais apreciados na culinária. O mercado global do girassol continua em expansão. Atualmente, ele ocupa a quarta posição na produção mundial de óleos vegetais, atrás apenas dos óleos de palma, soja e colza. Curiosamente, apesar de estarem muito distantes do berço original da planta, Ucrânia e Rússia permanecem entre os maiores produtores mundiais, repetindo um protagonismo que já tinham no passado.


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