50 Francs – 1945 – Bélgica
- awada
- 13 de jul. de 2023
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Atualizado: 21 de mar.
A Cornucópia: Símbolo de riqueza e fertilidade na numismática.


A cédula acima apresenta, em seu reverso, uma figura feminina alegórica que sustenta nos braços um veleiro e uma cornucópia, símbolos, respectivamente, do comércio e da riqueza de uma nação. Na Antiguidade Clássica, a cornucópia — do latim cornu (chifre) e copia (abundância), isto é, o “chifre da abundância” — era comumente representada como um chifre transbordante de produtos agrícolas, frutos e flores, uma espécie de fonte natural capaz de fornecer, de forma ilimitada, todos os bens necessários à vida humana. Objetos com esse formato, como cestas e vasos, eram tradicionalmente utilizados na Ásia Ocidental e na Europa para transportar e armazenar alimentos recém-colhidos. A mitologia greco-romana oferece diversas explicações para sua origem. Uma das mais conhecidas está associada ao nascimento e à infância de Zeus (Júpiter, para os romanos), que precisou ser escondido de seu pai, Cronos, para não ser devorado. Em uma caverna no Monte Ida, na ilha de Creta, Zeus foi protegido por entidades divinas, entre elas a ninfa — por vezes representada como cabra — Amalteia, considerada uma “deusa nutritiva”, que o alimentou com seu leite. Segundo o mito, durante uma brincadeira, Zeus quebrou acidentalmente um dos chifres de Amalteia. Como compensação, concedeu-lhe o dom de que o chifre jamais se esvaziaria, tornando-se uma fonte inesgotável de abundância. Entre os romanos, a cornucópia também se associava à deusa Abundantia, personificação da prosperidade, da fortuna e da fartura. Essa simbologia atravessou os séculos, influenciando representações na Gália romana e mesmo na França medieval, onde a deusa continuou a ser retratada portando uma cornucópia repleta de grãos e moedas. Por fim, em interpretações simbólicas mais amplas, a cornucópia pode ser entendida como a união de princípios complementares: o masculino, associado à forma do chifre, e o feminino, ligado à ideia de fertilidade e geração contínua. A relação da cornucópia com a numismática é igualmente antiga. Já presente em moedas da Roma Antiga como emblema de fertilidade e bem-estar do Estado, esse símbolo foi retomado ao longo da Idade Moderna, contribuindo para reforçar, no imaginário coletivo, a associação entre o dinheiro e ideias de estabilidade, prosperidade e abundância.


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