50 Escudos – 1956 – Angola
- awada
- 31 de mai. de 2022
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Atualizado: 19 de fev.
Mapa-Cor-de-Rosa: O sonho transcontinental português na África.


O personagem acima retratado - Henrique de Carvalho (1843–1909) - foi um militar e explorador português incumbido, no reinado de Luís I de Portugal, de reforçar a presença lusa no interior africano a partir das colônias costeiras de Angola e Moçambique. Sua atuação insere-se no contexto da chamada “Partilha da África”, quando as principais potências europeias disputavam territórios no continente, atraídas por recursos naturais, mercados consumidores e rotas comerciais estratégicas, sobretudo nas vastas regiões ainda pouco conhecidas do interior. Exploradores como David Livingstone tornaram-se célebres na expansão britânica, mas franceses, alemães, belgas e portugueses também buscavam consolidar suas ambições imperiais. No caso português, o objetivo estratégico era ligar Angola a Moçambique por uma faixa contínua de território sob soberania lusa, formando um eixo transcontinental de oeste a leste. Esse projeto ficou conhecido como Mapa Cor-de-Rosa, em alusão à cor com que os territórios reclamados eram assinalados nos mapas oficiais. A proposta foi apresentada na Conferência de Berlim (1884–1885), que estabeleceu regras para a ocupação colonial na África, entre elas o princípio da “ocupação efetiva” como critério de reconhecimento internacional. A pretensão portuguesa colidia diretamente com os interesses britânicos, que visavam articular um corredor de influência do Cabo ao Cairo — ideia associada ao imperialismo defendido por figuras como Cecil Rhodes. Nesse contexto, Henrique de Carvalho liderou uma expedição ao reino da Lunda, na atual região nordeste de Angola, entre 1884 e 1888. Embora tenha estabelecido contatos diplomáticos com autoridades locais e produzido importantes registros etnográficos e geográficos, sua missão enfrentou enormes dificuldades logísticas, doenças — incluindo surtos de varíola — e resistências locais, o que limitou o alcance prático da ocupação pretendida. A crescente tensão com a Grã-Bretanha culminou no Ultimato Britânico de 1890, dirigido ao governo de Carlos I de Portugal, que forçou Portugal a abandonar a ligação territorial entre Angola e Moçambique, especialmente nas áreas correspondentes aos atuais Zimbábue e Zâmbia. O episódio representou um duro golpe para o prestígio da monarquia portuguesa e marcou o fracasso definitivo do projeto do Mapa Cor-de-Rosa. Ainda assim, a atuação de Henrique de Carvalho contribuiu para consolidar a presença portuguesa na região da Lunda, que acabou integrada ao território de Angola sob domínio colonial. Seu legado inclui não apenas a dimensão política da expansão imperial, mas também um conjunto relevante de estudos e relatos sobre as sociedades africanas com as quais manteve contato.


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