5 Yuan – 1922 – China, República
- awada
- 31 de ago. de 2021
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Atualizado: 27 de jan.
Um barco viking no coração da China: Um prenúncio da globalização que chegaria.


As imagens retratadas nas cédulas de banco quase sempre possuem alguma relação direta com o país de origem. Mas o que dizer de uma cédula chinesa emitida por um banco privado que traz a imagem de um navio viking? Sim, isso de fato ocorreu, como se pode observar na cédula acima, e a história da instituição que a emitiu é relativamente pouco conhecida. Entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX, especialmente após as Guerras do Ópio, diversos bancos estrangeiros se estabeleceram na China, aproveitando-se do sistema de tratados desiguais e da abertura forçada dos portos chineses ao comércio internacional. Esse período abrangeu o declínio final do Império Chinês sob a dinastia Qing, que terminou oficialmente em 1911, e os primeiros anos da República da China, proclamada em 1912 e mantida no continente até 1949. Entre essas instituições encontrava-se o Banco Sino-Escandinavo (Sino-Scandinavian Bank). Apesar do nome sugerir uma ampla participação dos países escandinavos — Dinamarca, Suécia e Noruega —, o banco foi, na prática, uma iniciativa sino-norueguesa. A escolha do nome parece ter refletido tanto a presença norueguesa quanto a intenção de atrair capital sueco e dinamarquês, ainda que essa participação mais ampla nunca tenha se concretizado plenamente. O banco recebeu licença para operar em 1921, iniciando suas atividades no ano seguinte. Sua sede localizava-se em Pequim, com filiais em Changli, Qinhuangdao, Suiyuan e Tientsin (atual Tianjin), sendo esta última a cidade onde a cédula acima foi emitida em 1922. Além da curiosa imagem do navio viking, a cédula também chama atenção pela assinatura de um dos dois de seus principais dirigentes. No lado impresso em chinês, seu nome aparece sob a forma de um selo vermelho pessoal, conhecido como yìnzhāng. Já no lado em inglês, consta sua assinatura manuscrita - Johan Wilhelm Normann Munthe (1864–1935), frequentemente chamado de “o norueguês da China”. Munthe chegou à China em 1887 e ali permaneceu pelo resto da vida. Participou como voluntário em conflitos como a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894–1895) e esteve envolvido nos acontecimentos do Cerco de Pequim durante a Rebelião dos Boxers, em 1900. Sua formação na Escola de Suboficiais de Cavalaria em Trondheim contribuiu para que fosse recrutado como instrutor no exército chinês, aproximando-se do general Yuan Shikai, figura central da política chinesa do período e que viria a se tornar o primeiro presidente da República da China, governando entre 1912 e 1915 após a abdicação do último imperador Qing. Essa trajetória tornou Munthe um intermediário valioso entre autoridades chinesas e interesses noruegueses. Não há registros definitivos sobre o encerramento formal das atividades do banco, mas evidências indicam que ele provavelmente entrou em dificuldades financeiras e deixou de operar entre 1926 e 1927, em meio à instabilidade política, à fragmentação do poder central e às turbulências econômicas que marcaram a China da Era dos Senhores da Guerra.


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