5 Ringgit – 1983-84 – Malásia
- awada
- 25 de ago. de 2021
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Atualizado: 25 de jan.
O direito de dizer "Deus" entre mulçumanos e cristãos divide uma nação.


Os muçulmanos constituem a maioria da população da Malásia. Dos cerca de 32 milhões de habitantes do país, aproximadamente 61% são muçulmanos, em sua maioria pertencentes à etnia malaia. A Malásia costuma apresentar-se internacionalmente como uma nação muçulmana moderada, que garante liberdade de culto às demais religiões. Contudo, nas últimas décadas, observa-se um fortalecimento gradual de posturas conservadoras no âmbito religioso e político. Esse movimento tem gerado preocupação entre os não muçulmanos, que incluem budistas (cerca de 20% da população), cristãos (aproximadamente 9%) e hinduístas (em torno de 6%). Tensões religiosas tornaram-se mais visíveis nos últimos anos, com episódios como ataques incendiários a igrejas cristãs e a apreensão de Bíblias, em meio a uma disputa prolongada entre cristãos e muçulmanos sobre o uso da palavra “Allah”. A comunidade cristã defende o uso do termo há séculos na língua malaia para se referir a Deus, prática comum entre cristãos de língua malaia no Sudeste Asiático. No entanto, em 1986, o governo malaio proibiu oficialmente os não muçulmanos de utilizarem a palavra “Allah” em suas publicações. Assim, expressões em malaio como “Sepuluh hukum dari Allah” (“Os Dez Mandamentos de Deus”) passaram a ser consideradas infrações legais. A controvérsia se intensificou em dezembro de 2009, quando o Supremo Tribunal de Kuala Lumpur decidiu favoravelmente a um recurso apresentado por cristãos, reconhecendo que o termo “Allah” não era exclusivo do Islã. A decisão provocou forte reação de setores conservadores da sociedade. Após mais de uma década de disputas judiciais, em 2021, a Suprema Corte da Malásia confirmou definitivamente o direito dos cristãos de utilizar a palavra, declarando ilegal e inconstitucional a diretiva que proibia seu uso. A cédula apresentada, emitida entre 1983 e 1984, ilustra de forma simbólica essas tensões religiosas. Seu reverso retrata o Istana Negara, o Palácio do Rei — residência oficial de Sua Majestade em Kuala Lumpur — com um mastro de bandeira cuja forma lembrava uma cruz. Parte da população muçulmana interpretou o desenho como um símbolo cristão, considerado ofensivo ao Islã. Para conter a crescente controvérsia, as séries de cédulas emitidas a partir de 1986 foram alteradas, com a remoção da barra horizontal do mastro, eliminando assim qualquer associação visual com a cruz.


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