top of page

5 Pounds – 1980-89 – Guernsey

  • awada
  • 30 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de jan.

Os altos e baixos de uma empresa líder na impressão de cédulas de banco.



Todo colecionador de cédulas de banco já ouviu falar da empresa De La Rue, por décadas considerada a maior impressora privada de papel-moeda e documentos de segurança do mundo. Esta cédula presta homenagem a seu fundador, Thomas de La Rue (1793–1866), nascido no distrito de Forest, em Guernsey, uma ilha no Canal da Mancha que é dependência da Coroa Britânica. Por se tratar de uma atividade intimamente ligada à soberania e à estabilidade econômica, muitos países mantêm instalações próprias para a emissão de seu dinheiro. No entanto, para nações com menor demanda, recursos limitados ou estruturas institucionais reduzidas, recorrer a impressoras privadas sempre foi uma alternativa mais eficiente — espaço no qual a De La Rue construiu sua reputação global. Fundada em 1813, a empresa iniciou suas atividades ainda em Guernsey com a impressão de um jornal local. Após se estabelecer na Inglaterra, a partir de 1821, passou por uma trajetória curiosa e diversificada: produziu chapéus de palha, cartas de baralho e envelopes, até alcançar, já na metade do século XIX, o segmento que a tornaria mundialmente conhecida — a impressão de selos postais e cédulas bancárias. Suas primeiras cédulas foram impressas em 1860, para a Ilha de Maurício. Ao longo do século XX, a De La Rue tornou-se sinônimo de segurança gráfica, atendendo dezenas de bancos centrais e imprimindo não apenas papel-moeda, mas também selos, documentos de identidade e passaportes. O Brasil, inclusive, teve parte de seu dinheiro produzido pela empresa entre as décadas de 1950 e 1970. Durante a Segunda Guerra Mundial, a relevância estratégica da companhia foi tamanha que ela precisou construir abrigos subterrâneos para armazenar cédulas destinadas aos países europeus ocupados pelos nazistas, a serem utilizadas após a libertação. Já no século XXI, entretanto, o cenário mudou de forma significativa. A digitalização dos meios de pagamento, a consolidação de fortes concorrentes internacionais e a perda de contratos simbólicos — como o fornecimento de passaportes para o próprio governo britânico — obrigaram a De La Rue a se reestruturar, reduzir operações e redefinir seu foco estratégico. Embora continue ativa e relevante no setor de segurança monetária, sua posição dominante já não é incontestável. Assim, esta cédula não celebra apenas um fundador ou uma empresa centenária, mas também recorda que, mesmo em um campo historicamente fechado e altamente especializado, a competição é implacável. No delicado mercado da impressão de dinheiro — onde tradição, tecnologia e confiança caminham juntas — nem mesmo os nomes mais antigos estão imunes às pressões do tempo. A sobrevivência, hoje, depende menos da glória passada e mais da capacidade de se reinventar em um mundo cada vez mais disputado.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page