5 Pounds – 1977 – Irlanda do Norte
- awada
- 30 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jan.
Castelo de Dunluce: Onde a história encontra as lendas.


O Castelo de Dunluce, cujo nome deriva do irlandês Dún Libhse — frequentemente traduzido como “Forte da Colina” — é uma das mais impressionantes e extensas ruínas de castelos medievais da Irlanda do Norte. Erguido originalmente no século XIII e ampliado ao longo dos séculos seguintes, o castelo ocupa uma posição espetacular sobre um afloramento rochoso, cercado por declives abruptos em ambos os lados. Seu acesso sempre se deu apenas por uma ponte ligando-o ao continente, característica defensiva que certamente contribuiu para a escolha estratégica do local por seus primeiros ocupantes. Dunluce foi residência de dois importantes clãs gaélicos. Inicialmente pertenceu aos MacQuillan, que o controlaram a partir do início do século XVI, sendo posteriormente tomado pelos MacDonnell, que o mantiveram até o final do século XVII. Em 1690, após um período de declínio político e econômico, o castelo foi definitivamente abandonado, passando a sucumbir à ação do tempo. Um episódio histórico marcante ocorreu em 1588, quando os moradores do castelo testemunharam, ao longo da costa abaixo de seus muros, o naufrágio do navio espanhol La Girona, integrante da malfadada Armada Espanhola. Canhões recuperados do naufrágio foram posteriormente instalados no portão principal do castelo, permanecendo ali como testemunho material desse encontro dramático entre a história local e os grandes acontecimentos europeus. Abaixo do penhasco, ao nível do mar, encontra-se uma grande caverna natural com cerca de 25 metros de profundidade, conhecida como a “Caverna das Sereias”. É nesse cenário que a história documentada começa a se misturar com o imaginário popular. Uma antiga lenda conta que a única filha de Lord MacQuillan teria sido aprisionada na torre nordeste do castelo por se recusar a casar com um pretendente imposto pelo pai. Em uma noite de tempestade, ela e seu verdadeiro amor teriam escapado em direção à caverna, fugindo em um pequeno barco a remo. A embarcação, porém, teria sido lançada violentamente contra os rochedos, selando o destino trágico do casal. Desde então, segundo a tradição oral, o espírito da jovem ainda vagaria pela torre onde fora mantida cativa. Assim como muitos castelos medievais, Dunluce não sobrevive apenas em pedras e documentos, mas também nas lendas que se entrelaçam à sua história. Essas narrativas, transmitidas por gerações, ajudam a preencher os silêncios do passado e a dar vida às ruínas, reforçando a quase inseparável relação entre castelos medievais e o imaginário mítico que continua a envolver suas muralhas, séculos após terem perdido sua função original.


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