5 Nouveaux Francs – 1963 – França
- awada
- 17 de jul. de 2021
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Atualizado: 17 de jan.
"As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade." (Victor Hugo)


Na comuna francesa de Besançon nasceu Victor-Marie Hugo (1802–1885), mais conhecido como Victor Hugo. Poeta, romancista, dramaturgo e destacado ativista dos direitos humanos, ele é autor de obras que marcaram de forma definitiva o imaginário coletivo e a literatura ocidental. Embora sua infância tenha transcorrido durante o período napoleônico, Victor Hugo recebeu da mãe uma educação fortemente católica e monarquista, que moldou suas primeiras convicções políticas. Essa visão, no entanto, transformou-se ao longo do tempo, especialmente após a Revolução de 1848, quando passou a defender abertamente o republicanismo, o livre pensamento e causas sociais ligadas à justiça e à dignidade humana. Devido à carreira militar do pai, Hugo viveu em diversas cidades da Europa. Em 1815, porém, sua mãe fixou residência em Paris, o que permitiu ao jovem Victor, ainda adolescente, dedicar-se integralmente à literatura. Seu talento precoce logo se destacou: aos 16 anos, recebeu um prêmio da Academia Francesa por seus poemas, e em 1822 publicou seu primeiro livro, Odes et poésies diverses (Odes e Poesias Diversas). O grande reconhecimento veio em 1831, com a publicação de Notre-Dame de Paris (O Corcunda de Notre Dame), obra que lhe garantiu enorme prestígio e o levou, em 1841, a ser eleito membro da Academia Francesa, tornando-se um dos chamados “imortais”. Ainda assim, seu romance mais célebre é Les Misérables (Os Miseráveis), publicado em 1862. Nessa obra monumental, Victor Hugo expõe com profundidade sua filosofia política e humanista, denunciando a desigualdade social, a miséria e a exclusão, ao mesmo tempo em que exalta o trabalho, a compaixão e a possibilidade de redenção moral do indivíduo. Desde o início do século XX, Os Miseráveis conheceu dezenas de adaptações para o cinema, a televisão e os palcos, incluindo musicais consagrados internacionalmente. No Brasil, a obra inspirou dois filmes (1958 e 1967) e uma telenovela exibida em 1967, evidenciando seu alcance universal e atemporal. Victor Hugo morreu em Paris, aos 83 anos, amplamente consagrado tanto por sua produção literária quanto por suas posições políticas. Durante o exílio e nos últimos anos de vida, aproximou-se do espiritismo e expressou em várias obras sua crença na vida após a morte. Em seu testamento, deixou registrado um desejo que sintetiza sua visão humanista e espiritual: “Deixo cinquenta mil francos aos pobres. Desejo ser levado para o cemitério na sua carreta. Recuso a oração de qualquer igreja; peço uma oração a todas as almas. Creio em Deus. Victor Hugo.” Seu funeral transformou-se em uma comoção nacional, e seus restos mortais foram depositados no Panteão de Paris, honra reservada aos grandes nomes da França. O legado de Victor Hugo ultrapassa fronteiras e épocas: sua obra permanece como um poderoso apelo à justiça social, à empatia e à defesa incondicional da dignidade humana, reafirmando-o como uma das vozes morais e literárias mais influentes da história.


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