5 Litai– 1993 – Lituânia
- awada
- 3 de ago. de 2021
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Atualizado: 21 de jan.
"A língua de um povo é sua alma." (Johann Gottlieb Fichte)


Em 1795, após cerca de quatro séculos integrando o Império Polaco-Lituano, a Lituânia passou ao domínio do Império Russo. A partir de 1864, as autoridades czaristas implementaram uma série de políticas de “russificação”, que incluíam a proibição da impressão de livros em lituano com caracteres latinos, bem como o fechamento de instituições culturais e educacionais. O lituano não era visto como uma língua de prestígio; ao contrário, acreditava-se que acabaria por desaparecer à medida que os territórios orientais fossem progressivamente “eslavizados” e a população adotasse o russo ou o polonês no cotidiano. O único espaço onde a língua lituana ainda gozava de maior reconhecimento acadêmico e cultural era a Prússia Oriental, região por vezes chamada pelos nacionalistas lituanos de “Lituânia Menor”. Foi a partir daí que se organizou uma forma silenciosa, porém eficaz, de resistência: livros em lituano passaram a ser impressos no exterior e contrabandeados para o território lituano através da fronteira prussiana, mantendo viva a língua proibida. A imagem retratada no reverso desta cédula é a escultura Lietuvos Mokykla (“Escola Lituana”), do artista lituano Petras Rimša (1881–1961). A obra mostra uma mãe ensinando o filho a ler em lituano enquanto trabalha em seu tear, unindo a transmissão do saber à vida cotidiana. A escultura tornou-se um poderoso símbolo da resistência cultural à proibição imposta pelo czar Alexandre III (1845–1894), iniciada em 1863 e mantida até 1904. Os trabalhos de Rimša são marcados por forte patriotismo e realismo, e esta obra em particular teve origem em sua própria experiência pessoal. Ainda criança, ele recebeu da mãe as primeiras lições da língua lituana e acompanhou de perto as atividades de seu irmão, que atuava como contrabandista de livros lituanos. A pequena escultura original, criada em 1906, foi ampliada em 1957 para uma versão monumental em bronze, instalada na cidade de Kaunas, mas logo removida pelas autoridades soviéticas. Somente em 1994, durante as comemorações dos 90 anos do fim da proibição, a obra foi reinstalada. A história dessa escultura — assim como da própria língua lituana — evidencia que a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação: ela carrega a memória, os valores e a continuidade espiritual de um povo. Ao preservar sua língua, a Lituânia preservou também a sua alma, resistindo à dominação e garantindo a sobrevivência de sua identidade nacional ao longo das gerações.


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