5 Hryven– 2015 – Ucrânia 50.000 Rubley – 1995 – Transnístria
- awada
- 16 de ago. de 2021
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Atualizado: 23 de jan.
"Tivesse eu apenas 10.000 cossacos e eu teria conquistado o mundo." (Napoleão Bonaparte)




Nestas duas cédulas, provenientes de entidades políticas distintas — Ucrânia e Transnístria —, encontramos a figura lendária do líder cossaco Bohdan Chmielnicki (c. 1595–1657), personagem central da história da Europa Oriental no século XVII. O povo cossaco começou a se formar ainda no final da Idade Média, composto majoritariamente por camponeses, servos fugitivos e aventureiros que escapavam do controle dos senhores feudais da Comunidade Polaco-Lituana e do Grão-Ducado de Moscou, estabelecendo-se nas vastas estepes do sudeste europeu. Essas comunidades floresceram sobretudo nos territórios da atual Ucrânia, do sul da Rússia e da região do rio Dniestre — onde hoje se encontra a Transnístria —, expandindo-se posteriormente para outras áreas do Império Russo. Os cossacos tornaram-se célebres por sua coragem, disciplina militar, mobilidade e notável habilidade na cavalaria, além de um forte espírito de autonomia e autossuficiência. Essa reputação alcançou seu auge em meados do século XVII, quando Chmielnicki liderou uma grande revolta contra a Comunidade Polaco-Lituana. O levante não apenas abalou profundamente o equilíbrio político da Europa Oriental, como também resultou na formação do Hetmanato Cossaco, um Estado semi-autônomo governado pelos próprios cossacos. Em 1654, Chmielnicki firmou o Tratado de Pereiaslav com o czar Alexei I da Rússia, estabelecendo uma aliança que garantia proteção militar russa em troca de lealdade política. Embora inicialmente vantajoso para os cossacos, esse acordo marcou o início de um longo processo de perda gradual de sua autonomia, à medida que o Estado cossaco era progressivamente integrado à órbita russa. A importância militar dos cossacos foi tamanha que o Império Russo passou a organizá-los formalmente em hostes cossacas, incorporando-os ao Exército Imperial. Durante os séculos XVIII e XIX, eles participaram de diversas campanhas militares — inclusive nas guerras napoleônicas —, contribuindo decisivamente para a imagem da Rússia como uma potência marcada por forças de cavalaria rápidas, resistentes e temidas. Durante a Guerra Civil Russa (1917–1922), os cossacos não atuaram como um bloco homogêneo: alguns apoiaram o Exército Branco, outros se alinharam ao Exército Vermelho, enquanto regiões como o território cossaco do Don figuraram entre as mais resistentes ao avanço bolchevique. No período soviético, a cultura cossaca foi duramente reprimida, especialmente durante as políticas de descossaquização nas décadas iniciais da URSS, que buscaram desmantelar suas estruturas sociais e identitárias. Apesar disso, a tradição não foi totalmente extinta. Com o colapso da União Soviética, observou-se um intenso revivalismo cultural, acompanhado do reconhecimento oficial de associações cossacas. A fama dos cossacos como combatentes atravessou fronteiras e séculos. Não por acaso, Napoleão Bonaparte — que os enfrentou diretamente — reconheceu neles uma das mais eficazes forças de cavalaria leve já vistas. Essa reputação, construída sobre mobilidade, resistência e espírito indomável, explica por que os cossacos continuam a ocupar um lugar singular no imaginário militar e cultural da Europa Oriental até os dias atuais.


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