5 Francs– 1942 – África Ocidental Francesa
Como a Segunda Guerra Mundial fragmentou e sepultou a África Ocidental Francesa.


Em 1939, a África Ocidental Francesa (AOF) constituía uma massiva federação colonial composta por oito territórios: Senegal, Costa do Marfim, Guiné, Mali, Níger, Mauritânia, Burkina Faso e Benin. Administrada de forma centralizada a partir de Dakar (atual capital do Senegal), a região funcionava como uma engrenagem econômica vital para Paris, fornecendo matérias-primas e produtos agrícolas por meio da exploração intensiva da mão de obra local e do violento regime jurídico do Indigénat, que privava a esmagadora maioria dos africanos de direitos políticos e de cidadania. O início da Segunda Guerra Mundial fraturou dramaticamente essa estrutura. Com a queda da França e a ascensão do regime colaboracionista de Vichy em 1940, o governo-geral da AOF declarou lealdade ao Marechal Pétain, alinhando o bloco ao Eixo. Esse período foi marcado pelo endurecimento da censura, pela aplicação de leis antissemitas e pelo aumento brutal do trabalho forçado para abastecer a Europa ocupada. A resistência aliada e as forças da França Livre, lideradas por Charles de Gaulle, só conseguiram reincorporar a AOF ao esforço de guerra em 1942, após o sucesso da Operação Tocha no Norte da África. A partir de então, a federação tornou-se base logística aliada, enviando mais de 100 mil soldados africanos para os campos de batalha europeus. O término do conflito em 1945 sepultou o modelo colonial tradicional. Pressionada pela promessa de reformas feitas na Conferência de Brazzaville (1944) e pela necessidade de reconstrução, a metrópole aboliu o Indigénat e transformou a AOF em Territórios Ultramarinos da Quarta República, concedendo cidadania limitada e permitindo a emergência de lideranças locais no Parlamento francês. Contudo, as concessões parciais, que descentralizaram o poder executivo para cada colônia individualmente, acabaram fragmentando a coesão política da federação, em um processo criticado por intelectuais pan-africanistas como uma deliberada estratégia de enfraquecimento geográfico. O colapso definitivo da AOF foi deflagrado em setembro de 1958, quando Charles de Gaulle propôs a criação da Comunidade Francesa. O projeto oferecia autonomia interna aos territórios, mas mantinha o controle de setores estratégicos como defesa, moeda e política externa nas mãos de Paris. No referendo constitucional, enquanto a maioria dos líderes locais aceitou os termos temendo represálias econômicas, a Guiné, sob a liderança firme de Ahmed Sékou Touré, rejeitou categoricamente a proposta com um histórico "Não". A Guiné proclamou sua independência imediata, o que levou a França a retirar todos os seus técnicos e recursos em retaliação. Contudo, o gesto guineense quebrou a coesão do império; o efeito dominó foi irreversível e, ao longo de 1960, todos os demais Estados da antiga AOF negociaram suas respectivas emancipações, encerrando definitivamente o domínio federal francês na África Ocidental.

