5 e 25 Gourdes – 1971 e 1973 – Haiti
- awada
- 17 de nov.
- 2 min de leitura
Papa Doc e Baby Doc: três décadas de sombra no Haiti.




Quando François Duvalier (1907-1971), o temido Papa Doc, assumiu a presidência do Haiti em 1957, o país mergulhou em uma era de poder absoluto, medo ritualizado e vigilância constante. Médico de formação e profundo conhecedor das crenças populares, Duvalier moldou sua imagem pública com símbolos do vodu, projetando-se como uma figura quase sobrenatural. Essa aura, associada a um controle rígido das instituições, permitiu-lhe instaurar um regime personalista de força sem precedentes. Para consolidar o domínio, Papa Doc criou a Milícia Voluntária da Segurança Nacional, os infames Tonton Macoutes — paramilitares que, sem uniforme fixo e livres de punição, espalhavam terror em vilas e cidades. Prisões arbitrárias, desaparecimentos e execuções sumárias tornaram-se rotina. A oposição política foi sistematicamente destruída, enquanto o culto à personalidade transformava o presidente em uma entidade incontestável. Após sua morte, o poder passou para seu filho, Jean-Claude Duvalier (1951-2014), o Baby Doc, que, aos 19 anos, herdou o título de “Presidente Vitalício”. Embora seu governo tenha começado com promessas de modernização e abertura econômica, o regime manteve os antigos pilares: repressão, corrupção endêmica e enriquecimento da elite próxima ao poder. O fluxo de turistas, investimentos estrangeiros e indústrias de montagem trazia algum dinamismo, mas pouco beneficiava a população, ainda aprisionada por desigualdades profundas. Com o passar dos anos, a legitimidade de Baby Doc começou a desmoronar. A crise econômica dos anos 1980, denúncias internacionais de violações de direitos humanos e a resistência crescente da sociedade civil alimentaram um movimento popular poderoso. Manifestações, greves e protestos religiosos, incluindo o papel decisivo da Igreja Católica, pressionaram o regime até seu colapso. Em fevereiro de 1986, Jean-Claude fugiu para o exílio, encerrando oficialmente quase três décadas de ditadura familiar.


Comentários