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2, 5 e 10 Pa'anga – 2015-2009-1992 – Tonga

  • awada
  • 7 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de mar.

Tonga: A nação onde "boa comida" significa "muita comida"!






Para muitos turistas, as ilhas da Polinésia evocam a imagem de paraísos remotos e deslumbrantes — cenários onde o sol, o mar e a tranquilidade parecem eternos. No entanto, por trás dessa paisagem idílica, existe uma realidade bem diferente para quem vive ali: uma rotina marcada por alimentação desequilibrada, baixos níveis de atividade física e acesso limitado a serviços de saúde pública. O resultado é alarmante: algumas das nações com os mais altos índices de obesidade do planeta estão no Pacífico. As ilhas do Pacífico abrigam nove dos dez países mais obesos do mundo, com taxas que variam entre 35% e 50% da população adulta. Tonga, por exemplo, registra cerca de 43% de obesidade, figurando entre as primeiras posições do ranking global segundo a Organização Mundial da Saúde. Além das doenças associadas ao excesso de peso — como problemas cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e diabetes — há também um componente cultural que intensifica o problema. Em muitas sociedades polinésias, ainda persiste a percepção de que “grande é bonito”, associando porte físico a prestígio e status social. Em Tonga, tamanho e poder frequentemente caminham juntos. Um exemplo emblemático foi o rei Siosi Taufa’ahau, também conhecido como George Tupou IV, retratado na primeira cédula. Com cerca de 200 quilos, ele entrou para o Guinness World Records como o monarca mais pesado da história. Seus sucessores — seu filho mais velho, George Tupou V (1948-2012), retratado na segunda cédula, e o atual rei Tupou VI, presente na terceira — também herdaram uma constituição física robusta, algo relativamente comum na população local. O agravamento do sobrepeso na região está diretamente ligado à mudança nos hábitos alimentares. A dieta tradicional, baseada em peixes, tubérculos e vegetais frescos, foi gradualmente substituída por alimentos ultraprocessados e de alto teor calórico, como arroz branco, farinha refinada, produtos enlatados, carnes processadas e refrigerantes importados. O principal fator dessa transição foi econômico: alimentos mais baratos e calóricos tornaram-se mais acessíveis do que produtos frescos e nutritivos. Alguns pesquisadores acrescentam ainda um possível fator biológico: a chamada hipótese do “gene da economia” (thrifty gene). Segundo essa teoria, certas populações teriam desenvolvido maior capacidade de armazenar gordura como mecanismo de sobrevivência em períodos de escassez. No contexto do Pacífico, argumenta-se que ancestrais polinésios enfrentavam longas e arriscadas viagens marítimas, nas quais a capacidade de acumular energia corporal representava vantagem evolutiva. Se no passado essa característica pode ter favorecido a sobrevivência, no mundo contemporâneo — marcado por abundância calórica e menor gasto energético — ela se converteu em um sério fator de risco à saúde pública. O contraste é evidente: o mesmo ambiente que aos olhos do visitante simboliza equilíbrio e simplicidade abriga hoje um dos maiores desafios sanitários do planeta.

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