5 Cruzeiros – 1961-2 – Brasil
Atualizado: 16 de out.
De rara beleza, esta cédula carrega em suas alegorias o puro DNA artístico brasileiro.


O padrão cruzeiro foi instituído em 1942, durante o Estado Novo, em substituição ao padrão mil-réis, sendo a primeira mudança do padrão monetário do Brasil. Seu nome se baseou na Constelação do Cruzeiro do Sul, integrante de um dos quatros símbolos oficiais do Brasil — a bandeira nacional. As cédulas da 1ª e 2ª estampas do padrão cruzeiro foram emitidas respectivamente pelo American Bank Note e pela britânica Thomas de La Rue, a partir de 1943 e se estenderam até 1967, já com o padrão cruzeiro novo. Em 1961 houve a primeira emissão experimental totalmente nacional através da Casa da Moeda do Brasil, responsável pela cunhagem das moedas nacionais. A cédula trazia no lado esquerdo de seu anverso um jangadeiro nordestino com sua jangada de vela triangular no lado direito e um índio em perfil. O rosto do indígena estilizado baseou-se na representação idealizada da etnia Tupi-Guarani, historicamente considerada a matriz nativa dominante do litoral brasileiro na época do descobrimento. Ao contrário de cédulas posteriores (como a de 1.000 cruzeiros dos anos 1990 e 1991, que retratou indígenas reais da etnia Carajá), o índio de 1961 era uma alegoria genérica para homenagear os povos originários. Ela foi tão bem aceita pelo povo brasileiro que até ganhou apelido - “a cédula do Índio”. O seu reverso apresentava a imagem da vitória-régia (Victoria amazônica), que recebeu seu nome em homenagem à Rainha Vitória quando o explorador alemão a serviço da Coroa Britânica Robert Hermann Schomburgk (1804-1865) levou suas sementes para os jardins do palácio inglês. Segundo uma lenda tupi-guarani, a Lua — Jaci — descia à Terra à noite para visitar jovens guerreiras escolhidas como suas favoritas, transformando-as em estrelas do céu. Muitas meninas sonhavam em ser tocadas por ela. Entre elas havia Naiá, uma jovem curiosa fascinada pela Lua. Todas as noites ela caminhava pela floresta, subia colinas e vigiava a beira dos lagos tentando ver o reflexo de Jaci — acreditando que, se se aproximasse o bastante, poderia ser levada ao céu e tornar-se uma estrela. Certa noite, ao ver o reflexo da Lua brilhando sobre a água tranquila, Naiá imaginou que Jaci finalmente veio buscá-la. Lançou-se ao lago, tentando alcançá-la. Mas o reflexo se desfez e a jovem acabou se afogando. Jaci, tocada por sua devoção, resolveu recompensá-la de outra forma: transformou o corpo de Naiá em uma nova estrela — mas não no céu. Ela se tornou uma estrela das águas, surgindo como uma grande flor branca, que abre apenas à noite, refletindo o brilho lunar. Diferentemente das cédulas posteriores, que costumavam ter a assinatura de um designer de renome (como Aloísio Magalhães), os desenhos da "Cédula do Índio" nasceram de um esforço coletivo interno do departamento técnico da Casa da Moeda do Brasil para demonstrar a recém-adquirida autossuficiência nacional, tanto na sua elaboração como na sua produção. Apesar da boa recepção desta cédula experimental entre os anos 61 e 62, foi apenas em 1970 que a Casa da Moeda efetivamente fez o lançamento de sua primeira série de cédulas no padrão cruzeiro, tornando-se a partir daí totalmente autosuficiente nesta atividade de importância crítica para o país.

