5 e 20 Cordobas – 1991 e 1978 – Nicarágua
- awada
- 3 de mar. de 2021
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Atualizado: 21 de nov.
O canhão que ecoou o nome de Rafaela Herrera.




Na segunda metade do século XVIII, os acontecimentos ocorridos em um forte militar às margens do rio San Juan transformaram a jovem nicaraguense retratada nestas duas cédulas — Rafaela Herrera (1742–1805) — em uma das mais célebres heroínas da América Central. Quando forças britânicas e seus aliados costeiros — um contingente numeroso, vindo sobretudo da Jamaica, composto por embarcações armadas e centenas de soldados e corsários — avançaram em 1762 sobre o Forte da Imaculada Conceição, a desvantagem dos defensores parecia insuperável. O comando do forte estava nas mãos do capitão espanhol José Herrera Sotomayor, cuja morte repentina durante o cerco deixou desamparados não apenas seus filhos, entre eles a jovem Rafaela de 19 anos, mas também a pequena guarnição espanhola, que, sem liderança, começou a vacilar. Foi nesse momento crítico que Rafaela, superando a dor da perda, impôs-se com uma coragem rara até entre militares veteranos. A jovem, criada no ambiente do forte e instruída pelo pai no manejo de armas, assumiu a iniciativa. Ordenou a continuidade da defesa, posicionou-se junto à artilharia e disparou um tiro decisivo de canhão que abateu o chefe inimigo e causou grande confusão entre os atacantes. Seu ato despertou novo ânimo nos soldados, que passaram a reconhecê-la como figura de comando. Sob sua orientação firme, a defesa reorganizou-se; as baixas britânicas e a inesperada resistência ocasionaram a retirada temporária dos invasores. Pouco depois, ainda em 1762, as negociações de paz entre Espanha e Grã-Bretanha contribuíram para encerrar as hostilidades na região. Mas o feito de Rafaela transcendeu o episódio militar: sua coragem diante de uma força muito superior tornou-a símbolo da resistência nicaraguense e a consolidou como heroína nacional, reverenciada até hoje como a primeira mulher artilheira e defensora de um enclave estratégico na América Latina.


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