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5 Angolares – 1947 – Angola

  • awada
  • 4 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

O Império que não se chamava Império: Portugal e a ilusão da unidade territorial.


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Na metade do século XX, quando a maior parte da Europa enfrentava processos acelerados de descolonização — sobretudo na África Francesa, onde várias colônias já alcançavam a independência — Portugal seguiu na contramão. Sob o Estado Novo de Salazar, um regime autoritário, economicamente atrasado e geograficamente periférico em relação ao restante da Europa, o governo insistia em considerar todas as suas possessões como “províncias ultramarinas”, partes inseparáveis do território nacional. A propaganda oficial alimentava deliberadamente essa visão: em 1934, o regime divulgou o célebre cartaz “Portugal não é um país pequeno”, que combinava áreas das colônias para afirmar que o conjunto do “império” superaria a soma dos territórios de Espanha, França, Reino Unido, Itália e Alemanha. A intenção era reforçar o mito de grandeza histórica e justificar a recusa em acompanhar o movimento global de descolonização. O império colonial Português foi o primeiro projeto expansionista ultramarino de escala verdadeiramente global, sendo também o mais longevo entre os impérios europeus modernos. Seu início é geralmente associado à Conquista de Ceuta, em 1415, marco das navegações atlânticas. A partir daí, os portugueses estabeleceram uma vasta rede de feitorias, fortalezas e colônias, que se estendia da costa ocidental da África ao Golfo Pérsico, da Índia ao Sudeste Asiático, além de grande parte do litoral sul-americano. Essa expansão resultou, ao longo dos séculos, na presença portuguesa em territórios que hoje pertencem a mais de 50 países, testemunhando a amplitude do seu alcance marítimo. Diversos fatores impulsionaram esse expansionismo: a busca por rotas comerciais alternativas ao Mediterrâneo; o interesse pelo ouro e pelo comércio de escravizados na África Ocidental; a competição com outras potências ibéricas e, posteriormente, com holandeses e ingleses; além da difusão religiosa através das ordens missionárias. A política ultramarina oscilou entre momentos de hegemonia e períodos de retração, especialmente após a União Ibérica e durante as investidas holandesas no século XVII. Ainda assim, Portugal conseguiu manter núcleos estratégicos como Angola, Moçambique, Goa, Timor e Macau até o século XX. É importante ressaltar que, embora a expressão “Império Português” seja amplamente utilizada na historiografia, Portugal jamais se autodenominou oficialmente como “império”, nem durante a monarquia, nem durante a república. O termo predominante era “Ultramar”, reforçando a ideia de continuidade territorial entre metrópole e colônias, narrativa que o Estado Novo intensificou para legitimar a manutenção do domínio colonial até as guerras de independência africanas e, finalmente, até a devolução de Macau à China, em 1999, último elo do antigo sistema expansivo português.

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