top of page

500/1.000/5.000 Francs – 1974-1984-1991 – Chade

  • awada
  • 29 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Chade: O país que recebeu seu nome de um lago que ameaça desaparecer.



No final do século XIX, a França conquistou e colonizou o território do atual Chade, incorporando-o à chamada África Equatorial Francesa. A independência do país foi alcançada apenas em 1960. Encravado na região centro-norte do continente africano e sem acesso ao mar, o Chade é por vezes referido como o “coração morto da África”, expressão que remete tanto ao seu isolamento geográfico quanto ao clima predominantemente árido. O território chadiano apresenta três grandes regiões naturais: ao norte estende-se o Deserto do Saara; ao sul predominam as savanas tropicais; e, entre ambas, encontra-se uma faixa de transição semiárida conhecida como Sahel. Apesar dessa geografia frequentemente hostil, o nome do país deriva justamente de um importante recurso hídrico: o Lago Chade. A palavra “Tchad”, ou “Sádǝ” na língua do povo kanuri que habita a região, significa “grande extensão de água”. O lago desempenha um papel fundamental na economia regional, pois fornece água para milhões de pessoas que vivem em suas margens. Além do Chade, suas águas alcançam territórios de Camarões, Níger e Nigéria. As fronteiras ao redor do lago foram definidas entre 1904 e 1906 pelas potências coloniais da época: a França (que dominava Chade e Níger), o Reino Unido (que controlava a Nigéria) e a Alemanha (que colonizava Camarões). Contudo, o futuro do Lago Chade tornou-se motivo de grande preocupação. Antigamente considerado quase um “mar interior” da África, ele perdeu entre 80% e 90% de sua superfície em poucas décadas. Povoados e cidades que antes se localizavam à beira de suas águas encontram-se hoje separados por extensas áreas secas. Na década de 1960, o lago ocupava mais de 25.000 km², sendo então o quarto maior lago africano. Por volta do ano 2000, sua área havia encolhido para menos de 1.500 km² e, nas últimas estimativas, situa-se em torno de 1.300–1.400 km², variando conforme as chuvas sazonais. Essa retração dramática afeta diretamente cerca de 40 milhões de pessoas que dependem do lago para obter água potável, pescar e irrigar suas lavouras. Além disso, ele sempre foi uma das principais fontes de água para o Sahel — a extensa faixa ecológica de aproximadamente 5.000 km que atravessa a África de oeste a leste, do Oceano Atlântico ao Mar Vermelho, marcando a transição entre o Saara e as savanas ao sul. As causas dessa redução são múltiplas. Entre os principais fatores estão a diminuição das chuvas associada às mudanças climáticas, o aumento da retirada de água para irrigação agrícola e a construção de barragens nos rios que alimentam o lago. Ao mesmo tempo, entre 1960 e 2005 a população da região praticamente dobrou, ampliando ainda mais a pressão sobre os recursos hídricos disponíveis. Diante dessa situação crítica, a NASA passou a monitorar o lago por meio de satélites dentro de seus programas de observação da Terra, fornecendo dados periódicos sobre as variações de sua superfície. Paralelamente, iniciativas da UNESCO e de organismos regionais discutem projetos para transferir água de outras bacias hidrográficas e recuperar parte do lago. Ainda assim, as comunidades que vivem ao seu redor acompanham essas propostas com apreensão, esperando que as medidas de preservação sejam implementadas antes que esse histórico reservatório de água doce desapareça de forma irreversível.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page