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3 Dollars – 1987 – Ilhas Cook

  • awada
  • 20 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de nov.

Da tradição oral a cédulas de banco: a jornada cultural de Ina.


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A lenda de Ina e o Tubarão é uma das mais célebres narrativas mitológicas das Ilhas Cook e, de modo mais amplo, da tradição polinésia. Ela simboliza tanto a relação entre os humanos e o mundo marinho quanto temas de amor, coragem e reciprocidade. A história é tão importante que aparece representada em várias cédulas das Ilhas Cook, frequentemente mostrando Ina montando um tubarão. Ina era uma bela jovem mortal que vivia nas ilhas. Ela se apaixonou por Tinirau, um deus ou espírito que habitava uma ilha distante, geralmente identificada como o lar dos deuses do mar. Desejando encontrar seu amado, Ina precisava atravessar o vasto oceano, mas não havia embarcação capaz de levá-la tão longe. Foi então que o próprio Tinirau enviou um tubarão gigante para transportá-la. Ina subiu nas costas do tubarão e iniciou uma longa travessia pelas águas azuis do Pacífico. Durante a jornada, sob o sol escaldante, Ina ficou com sede. Não tendo nada à mão, ela pegou um coco que havia levado e para abri-lo bateu o coco na cabeça do tubarão, causando-lhe dor e uma cicatriz permanente. Furioso, o tubarão ameaçou derrubá-la no mar. Mas, segundo a lenda, Tinirau interveio, acalmando o tubarão e ajudando Ina a concluir sua viagem em segurança até sua ilha. Ina representa a humanidade e a coragem feminina, símbolo de determinação diante de forças maiores. O tubarão é o espírito guardião do mar, uma criatura de poder e respeito, que exige equilíbrio entre confiança e reverência. A lenda ilustra a ideia polinésia de "mana", o poder espiritual presente em todas as coisas vivas, e a necessidade de harmonia entre o homem e a natureza. O reverso desta cédula também tem sua peculiaridade. A imagem de uma canoa polinésia de dois cascos é bem tradicional, mas a escultura em madeira ao lado retratando o “bem-dotado” deus da cultura maori chamado Rongo, o deus da agricultura e da guerra, também não deixa de chamar a atenção. Os polinésios lhes ofertavam em cerimônias uma planta cozida chamada taro, cultivada pelos seus caules subterrâneos carnosos e comestíveis, acompanhada de sacrifícios humanos. As conexões entre Rongo, guerra, taro e sacrifício humano eram complexas. Rongo assegurava o sucesso na guerra e a fertilidade da terra, mas isso exigia sacrifícios contínuos de corpos humanos e taro em um ciclo sem fim.

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