3 Dollars – 1987 – Ilhas Cook
Atualizado: 12 de out.
Da tradição oral às cédulas de banco: a jornada cultural de Ina.


A lenda de Ina e o Tubarão é uma das mais célebres narrativas mitológicas das Ilhas Cook e, de modo mais amplo, da tradição polinésia. Ela simboliza tanto a relação entre os humanos e o mundo marinho quanto temas de amor, coragem e reciprocidade. A história é tão importante que aparece representada em várias cédulas das Ilhas Cook, frequentemente mostrando Ina montando um tubarão. Segundo a lenda, Ina era uma bela jovem mortal que vivia nas ilhas. Ela se apaixonou por Tinirau, um deus ou espírito que habitava uma ilha distante, geralmente identificada como o lar dos deuses do mar. Desejando encontrar seu amado, Ina precisava atravessar o vasto oceano, mas não havia embarcação capaz de levá-la tão longe. Foi então que o próprio Tinirau enviou um tubarão gigante para ir buscá-la. Ina subiu nas costas do tubarão e iniciou uma longa travessia pelas águas azuis do Pacífico. Durante a jornada, sob o Sol escaldante, Ina ficou com sede. Ela pegou um coco que havia levado e para abri-lo, não tendo nada à mão, bateu o coco na cabeça do tubarão, causando-lhe uma profunda dor. Furioso, o tubarão ameaçou lançá-la ao mar. Mas, segundo a lenda, Tinirau interveio, acalmando o tubarão e ajudando Ina a concluir sua viagem em segurança até sua ilha. Ina representa a humanidade e a coragem feminina, símbolo de determinação diante de forças maiores. O tubarão é o espírito guardião do mar, uma criatura de poder e respeito, que exige equilíbrio entre confiança e reverência. A lenda ilustra a ideia polinésia de "mana", o poder espiritual presente em todas as coisas vivas, e a necessidade de harmonia entre o homem e a natureza. O reverso desta cédula também tem sua peculiaridade. A imagem de uma canoa polinésia de dois cascos é bem tradicional da cultura local, mas a escultura em madeira ao seu lado retratando o bem-dotado deus da cultura maori chamado Rongo — o deus da agricultura e da guerra —, também não deixa de chamar a atenção. Os polinésios lhes ofertavam em cerimônias uma planta cozida chamada taro, cultivada pelos seus caules subterrâneos carnosos e comestíveis, acompanhada de sacrifícios humanos. As conexões entre Rongo, guerra, taro e sacrifício humano eram complexas. Rongo assegurava o sucesso na guerra e a fertilidade da terra, mas isso exigia sacrifícios contínuos de corpos humanos e taro em um ciclo sem fim.

