25 Syrian Pounds – 1991 – Síria
- awada
- 28 de set. de 2021
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Atualizado: 2 de fev.
Saladino: O estrategista que enfrentou a cristandade ocidental.


Saladino (1137–1193) foi o sultão muçulmano do Egito e da Síria que abalou profundamente o mundo cristão ao derrotar, em 1187, o exército dos Estados Cruzados na Batalha de Hattin e reconquistar Jerusalém. Seu êxito foi resultado da progressiva unificação do Oriente Médio muçulmano — especialmente Egito e Síria — sob seu comando, combinando habilidade militar, diplomacia e a legitimação religiosa da jihad contra os Estados Latinos do Oriente, como o Reino de Jerusalém. Ao contrário da ideia de um domínio contínuo “do Egito até a Arábia”, o poder de Saladino se concentrou principalmente no Egito, na Síria e em partes da Mesopotâmia e da Palestina, embora sua influência política e religiosa se estendesse por todo o mundo islâmico sunita. Fundamental para sua liderança foi a reputação que construiu como governante justo, piedoso e generoso, além da imagem cuidadosamente cultivada de defensor do Islã frente à presença cristã ocidental. A vitória em Hattin levou à captura da Verdadeira Cruz — uma das relíquias mais sagradas da cristandade — e abriu caminho para a retomada de Jerusalém. Esses feitos consolidaram definitivamente o prestígio de Saladino. Ao entrar na cidade, ele evitou um massacre generalizado da população cristã ocidental, permitindo que muitos fossem libertados mediante resgate, enquanto outros foram escravizados, prática comum na época. Os cristãos orientais foram autorizados a permanecer em Jerusalém, e o Santo Sepulcro continuou funcionando como local de culto cristão, embora várias outras igrejas tenham sido convertidas em mesquitas. Após a queda de Jerusalém, Saladino enfrentou a Terceira Cruzada (1189–1192), liderada por monarcas europeus como Ricardo Coração de Leão. Embora tenha sofrido reveses importantes, como a perda de Acre e a derrota na Batalha de Arsuf, conseguiu impedir que os cruzados reconquistassem Jerusalém. Consciente de que os reis europeus não poderiam permanecer indefinidamente no Oriente, Saladino adotou uma estratégia de desgaste, apostando corretamente no fator tempo. O conflito terminou com o Tratado de Jafa, em 1192, que encerrou a cruzada sem uma vitória decisiva cristã. Saladino também se preocupou ativamente com a construção de sua memória, chegando a manter cronistas oficiais para registrar seus feitos. Suas qualidades como comandante, estadista e homem de caráter — frequentemente descrito como generoso e cavalheiresco — lhe renderam admiração tanto de autores muçulmanos quanto cristãos. Após sua morte, em 1193, em Damasco, tornou-se uma das figuras mais célebres da Idade Média e tema recorrente de obras históricas e literárias até os dias atuais.


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