25 Latu – 1938 – Letônia
- awada
- 27 de fev. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de dez. de 2025
Lacplesis: O herói nacional da Letônia.


O personagem visto nesta cédula, Lāčplēsis, deu nome a um poema que é o coração épico da identidade letã. Escrito por Andrejs Pumpurs (1841–1902) e publicado em 1888, ele recolhe antigas lendas populares para forjar um herói destinado a encarnar a força e a perseverança de seu povo. Seu nome, que em letão significa “Matador de Ursos”, nasceu do seu primeiro grande feito: ainda jovem, Lāčplēsis enfrenta um urso colossal e, num gesto sobre-humano, rasga-lhe as mandíbulas com as próprias mãos. A partir desse momento, os deuses o escolhem como campeão da terra letã, guardião de rios, florestas e aldeias, destinado a resistir às forças que tentam subjugá-las. Após inúmeros feitos e provações, seus inimigos descobrem o segredo de sua força: a mãe de Lāčplēsis era uma ursa, e seu poder residia nas orelhas herdadas desse vínculo ancestral com a natureza. No clímax do poema, durante um torneio fatal, ele é forçado a enfrentar o temido Cavaleiro Negro, símbolo dos cruzados alemães que dominaram a região desde o século XIII. No combate, as orelhas de Lāčplēsis são cortadas. Mesmo ferido e traído pelo destino, o herói não se rende. Tomado por fúria e honra, ergue o Cavaleiro Negro até a borda de um penhasco e o lança ao rio Daugava. No último instante, porém, o inimigo o arrasta consigo, e ambos desaparecem nas águas profundas — um final aberto, onde a queda não é derrota, mas a promessa de retorno. O pano de fundo histórico dessa lenda é claro e poderoso. Desde as cruzadas do norte da Europa, grande parte das terras da atual Letônia permaneceu nas mãos de uma nobreza de origem alemã. Nos séculos XVIII e XIX, o domínio passou ao Império Russo, que em 1863 promulgou leis permitindo que letões comprassem fazendas antes controladas por aristocratas germânicos. Ainda assim, a maioria da população seguiu sem terra, vivendo como trabalhadores contratados, relegados a posições inferiores na ordem social. Foi nesse contexto de desigualdade, memória de opressão e despertar nacional que Pumpurs escreveu seu poema — um grito literário contra antigos dominadores e um chamado à afirmação nacional. Quando esta cédula foi emitida, em 1938, a Letônia vivia um raro momento de soberania, conquistada após a Primeira Guerra Mundial. Assim como Lāčplēsis, o país era jovem, orgulhoso e consciente de sua força, mas cercado por ameaças muito maiores do que ele. Entre potências a oeste e a leste, a nação letã tentava manter-se de pé, afirmando sua identidade, sua língua e sua cultura. O herói impresso na cédula não era apenas uma lembrança do passado mítico: era um aviso e uma esperança. Tal como Lāčplēsis nas águas do Daugava, a Letônia de 1938 sabia que poderia cair — mas acreditava, com fervor épico, que jamais seria definitivamente vencida.


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