2.000 Lire – 1973 – Itália
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“Eppur si muove”! (E, no entanto, ela se move!) (Galileu Galilei)


Diz uma lenda apócrifa que o astrônomo, físico e engenheiro italiano Galileu Galilei (1564-1642) murmurou a frase "eppur si muove" depois de ter sido obrigado a renegar em 1633, diante do Tribunal da Inquisição, sua tese de que a Terra se move em torno do Sol, conhecida como heliocentrismo. Na época do julgamento de Galileu, a visão dominante entre os teólogos, filósofos e cientistas era de que a Terra era estacionária, e de fato, o centro do universo. Adversários de Galileu acusaram-no de heresia, crime punível com a morte pelo tribunal da Inquisição. O assunto foi investigado pela Inquisição Romana em 1615, que concluiu que o heliocentrismo era tolo e absurdo em filosofia e formalmente herético, pois contradizia explicitamente em muitos pontos o sentido da Sagrada Escritura. Tendo Galileu se retratado para salvar sua pele, foi colocado sob prisão domiciliar até sua morte, nove anos após o julgamento. A frase não consta nas atas do julgamento nem nos primeiros relatos biográficos escritos logo após a morte do cientista, inclusive na mais antiga biografia de Galileu, escrita por seu discípulo Vincenzo Viviani, onde, além de não mencionar a frase acima, ele afirma que Galileu se retratou "sinceramente" perante a Igreja. O primeiro relato da lenda data de um século após sua morte. A frase "Eppur si muove" aparece, no entanto, em uma pintura da década de 1640 feita pelo pintor espanhol Bartolomé Esteban Murillo ou por um artista de sua escola. A pintura retrata Galileu preso aparentemente apontando para a frase escrita no muro de sua masmorra. Do ponto de vista simbólico, a frase sintetiza a estabilidade dos fatos descobertos pela ciência mesmo diante da censura pela fé — a quintessência do conflito entre as descobertas científicas e as convenções das autoridades no poder. Ainda nos dias de hoje a expressão “eppur si muove” é usada com frequência como um apontamento de que fatos físicos são verdades imutáveis, independentemente de opiniões, políticas ou religiões. As imagens da Basílica e da Torre Inclinada em Pisa, vistas ao fundo no anverso da cédula, possuem uma fortíssima relação histórica e cultural com Galileu Galilei. . A famosa Piazza dei Miracoli (Praça dos Milagres), onde os dois monumentos estão localizados, serviu como o cenário fundamental onde o cientista — que nasceu e estudou em Pisa — desenvolveu os primeiros passos da física moderna. Diz a história que foi na Basílica que Galileu, ainda com 19 anos, descobriu o princípio do pendulo, que permitiu a criação dos relógios que revolucionaram a medição do tempo. E a Torre Inclinada foi onde se realizou uma das demonstrações mais famosas da história da ciência: para refutar a teoria de Aristóteles — que afirmava que objetos mais pesados caíam mais rápido que os leves —, Galileu teria subido a torre e arremessado duas esferas de massas completamente diferentes. Ambas atingiram o solo exatamente ao mesmo tempo, provando que a gravidade acelera os corpos igualmente, independentemente do peso. E por fim, a história do Observatório Astrofísico de Arcetri, visto no reverso da cédula, também está diretamente ligada ao legado de Galileu Galilei. Até meados do século XIX, as observações astronômicas em Florença eram feitas na torre do museu astronômico conhecido como La Specola, situado no centro da cidade. Contudo, o crescimento urbano, a poluição luminosa e as condições atmosféricas da cidade, tornaram as observações no local inviáveis. A construção do novo observatório começou em 1869 e foi oficialmente inaugurado em 1872, consolidando-se como um centro internacional de astrofísica. A colina de Arcetri, onde ele foi instalado e que lhe deu nome, foi escolhida por motivos técnicos — melhor visibilidade e condições atmosféricas — e também por uma forte carga simbólica. Arcetri era o local onde ficava a Villa il Gioiello, a casa onde Galileu passou seus últimos anos de vida sob prisão domiciliar imposta pela Inquisição. Hoje o local deixou de ser apenas um local de lentes clássicas para se transformar em um polo de alta tecnologia científica. Mais de 100 profissionais ali trabalham em pesquisas sobre a evolução do universo, a formação de estrelas, astrobiologia e no desenvolvimento de tecnologias de ponta, como a óptica adaptativa para grandes telescópios terrestres e espaciais.

