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2000 Guaranies – 2009 – Paraguai

  • awada
  • 11 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de dez. de 2025

Quando uma homenagem vira um jogo de “Quem é Quem?”




Adela Speratti (1865-1902) e Celsa Speratti (1868-1938) foram duas irmãs paraguaias que nasceram em meio ao caos da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), o conflito mais devastador da história sul-americana. O pai foi morto durante a guerra e, como milhares de paraguaios, elas e a mãe tiveram de buscar refúgio na Argentina. O país que deixaram para trás perdeu grande parte da população, territórios e décadas de desenvolvimento, um golpe tão profundo que o sistema educacional praticamente precisou ser reinventado do zero. Quando a poeira da guerra começou a baixar, o Paraguai percebeu que a reconstrução nacional passava necessariamente pelas salas de aula. E foi justamente nesse contexto que Adela e Celsa, já formadas e atuando como educadoras na Argentina, receberam um convite formal para retornar à pátria. Foi um esforço deliberado do governo para qualificar professores, criar escolas normais e recuperar a capacidade intelectual do país. As irmãs aceitaram o desafio e, ainda muito jovens, tornaram-se protagonistas da reformulação do ensino feminino no Paraguai. Adela é lembrada como um dos pilares da educação moderna paraguaia. Celsa também teve atuação destacada, contribuindo para formar gerações de professoras e consolidar o magistério feminino como carreira essencial no país. O trabalho de ambas deixou marcas profundas na cultura educacional paraguaia, o tipo de legado que normalmente inspira homenagens públicas. E assim aconteceu. Em 2009, o Banco Central do Paraguai dedicou a cédula acima às irmãs Speratti. Haveria aí uma justa celebração, não fosse um detalhe que provocou debates entre historiadores e numismatas: a figura identificada como Celsa não se parece com a fotografia conhecida da educadora. Alguns chamaram o caso de erro iconográfico, outros suspeitaram de troca por falta de documentação adequada, e há quem acredite, sem provas conclusivas, que a imagem poderia ser da educadora Concepción Arialdi, cuja fotografia tem traços semelhantes. Nada foi oficialmente confirmado, mas a dúvida foi suficiente para gerar ironias. Afinal, ao contemplar a cédula, muitos já imaginaram Adela olhando para a outra figura e perguntando: “Desculpe, mas quem exatamente é você?” A resposta ainda hoje permanece em aberto.

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