200 Escudos – 2005 – Cabo Verde
- awada
- 2 de jun. de 2022
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Atualizado: 18 de mar.
Effie-Ernestina: A incrível história de uma das mais antigas escunas norte-americanas.


A escuna Effie, retratada na cédula acima, foi construída em Essex, Massachusetts, e lançada ao mar em 1º de fevereiro de 1894. Projetada originalmente como um barco de pesca de mar profundo a pedido de Edward Morrissey, recebeu o nome em homenagem à sua filha. Em seus primeiros anos, dedicou-se à pesca de bacalhau no Atlântico Norte, destacando-se como uma embarcação robusta, capaz de enfrentar o mar aberto e resistir a tempestades severas. Em 1914, a escuna foi adquirida por Robert Bartlett, renomado explorador e navegador do Ártico, que inicialmente manteve seu uso como barco de pesca. No entanto, percebendo que sua verdadeira vocação era a exploração, Bartlett decidiu, em 1926, retomar suas expedições ao norte. Para isso, equipou a embarcação com um motor a diesel e reforçou seu casco, adaptando-o às exigências do gelo ártico. Nas duas décadas seguintes, a Morrissey realizou inúmeras viagens rumo ao Ártico, partindo de Nova Iorque e cruzando o Círculo Polar Ártico em direção à Groenlândia. Suas expedições reuniam um público diverso, incluindo estudantes, cientistas, fotógrafos e entusiastas da região polar. Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1945, a embarcação ampliou ainda mais sua atuação. Sob o comando de Bartlett, passou a transportar suprimentos para bases navais e aéreas das forças armadas dos Estados Unidos no Ártico. Após a morte de Bartlett, em 1949, a escuna foi vendida a Henrique Mendes, que a rebatizou como Ernestina, novamente em homenagem a uma filha. Iniciava-se então uma nova fase: a embarcação passou a operar como navio de transporte, ligando Cabo Verde à Massachusetts, levando passageiros e mercadorias. Posteriormente, foi utilizada também no transporte interinsular no arquipélago cabo-verdiano, até ser desativada e cair em estado de abandono. Em 1960, instituições museológicas dos Estados Unidos demonstraram interesse em adquirir a Ernestina para preservação, mas apenas em 1977 o povo de Cabo Verde concordou em doá-la ao povo americano, entregando-a ao estado de Massachusetts. Em 1982, seu casco foi completamente reconstruído em Cabo Verde, e a embarcação navegou até os Estados Unidos com uma tripulação mista dos dois países. Com a restauração finalizada em 1994, Ernestina passou a integrar o Parque Histórico Nacional de New Bedford. Atualmente, navega regularmente pela costa da Nova Inglaterra em cruzeiros educativos, preservando viva a memória de sua longa e notável trajetória. Se Effie e Ernestina ainda pudessem testemunhar essa história, certamente se orgulhariam do destino singular e duradouro dessa emblemática embarcação.


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