200 Baisa – 1987 – Omã
- awada
- 13 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de fev.
Monarquia absoluta no século XXI: O caso singular de Omã.


Omã, um país árabe localizado na costa sudeste da Península Arábica, é uma monarquia absoluta. O sultão Qabus bin Said Al Said (1940–2020), retratado nesta cédula, foi seu governante hereditário de 1970 até sua morte, após cinco décadas no poder. Com esse período de governo, figurou entre os monarcas de reinado mais longos do mundo no século XX e início do XXI. Herdeiro da dinastia Al Said, que governa Omã desde meados do século XVIII, Qabus chegou ao poder aos 29 anos, após liderar um golpe de Estado sem violência, com apoio britânico, que depôs seu pai, Said bin Taimur. Seu pai era um governante recluso e ultraconservador, responsável por medidas extremamente restritivas, como a proibição do uso de rádios e óculos escuros, além do controle direto sobre quem poderia se casar, estudar ou deixar o país. Ao assumir o trono, Qabus declarou a intenção de modernizar Omã e empregar a recém-descoberta riqueza petrolífera para promover o desenvolvimento nacional. Sob seu governo, o país passou por profundas transformações em infraestrutura, educação, saúde e relações exteriores, ainda que o poder permanecesse fortemente concentrado. Em Omã, o sultão é o principal tomador de decisões, e Qabus acumulou funções centrais do Estado, exercendo simultaneamente os cargos de primeiro-ministro, comandante supremo das Forças Armadas, ministro da Defesa, das Finanças e das Relações Exteriores. Qabus não teve irmãos e, apesar de ter se casado, não deixou filhos, o que tornava incerta a sucessão. Para não fragilizar sua autoridade em vida, jamais revelou publicamente quem deveria sucedê-lo. Em vez disso, deixou dois envelopes selados, guardados em locais distintos, contendo o nome de seu sucessor. Após sua morte, um conselho da família real dispunha de até três dias para chegar a um consenso, mas optou por abrir os envelopes deixados pelo sultão. A decisão revelou o nome de Haitham bin Tariq Al Said (1955–), primo de Qabus e então ex-ministro da Cultura e do Patrimônio, que foi empossado com o objetivo de preservar a unidade da elite governante e a estabilidade política do país. Nos dias atuais, as monarquias absolutas tornaram-se raras e sobrevivem, em geral, em contextos muito específicos, apoiadas em tradições dinásticas, controle político centralizado e, frequentemente, em recursos estratégicos como o petróleo. Embora algumas, como a de Omã, tenham promovido modernização econômica e social, elas enfrentam desafios crescentes, como a pressão por maior participação popular, transparência e institucionalização do poder. Assim, o destino dessas monarquias tende a depender de sua capacidade de equilibrar continuidade e reforma, preservando a estabilidade sem ignorar as demandas de sociedades cada vez mais conectadas e conscientes de seus direitos.


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