20 Somoni – 2017 – Tajiquistão
- awada
- 8 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de fev.
Avicena: O polímata que moldou a medicina ocidental.


Ibn Sina (c. 980–1037), conhecido no Ocidente pelo nome latinizado Avicena, foi um dos maiores polímatas da chamada Era de Ouro Islâmica. Autor extraordinariamente prolífico, escreveu cerca de 450 obras, das quais aproximadamente 240 chegaram até nós — sendo cerca de 40 dedicadas à medicina. Suas principais contribuições nesse campo foram o “Livro da Cura” (Kitab al-Shifa’), uma vasta enciclopédia filosófica e científica, e o “Cânone da Medicina” (Al-Qanun fi al-Tibb), uma das obras médicas mais influentes da história. O Cânone está estruturado em cinco livros, abrangendo desde princípios gerais da medicina até a descrição sistemática de doenças e fármacos, incluindo métodos de preparação e uso. Traduzido para o latim no século XIII, tornou-se manual de referência em diversas universidades europeias, como a Universidade de Montpellier na França e a Universidade Católica de Leuven na Bélgica, permanecendo em uso por séculos. Reconhecido como o mais influente pensador de sua época, Ibn Sina ficou conhecido como o “Príncipe dos Médicos”. Segundo a biografia escrita por um de seus discípulos, aos dez anos já havia memorizado o Alcorão. Aos dezesseis, dedicou-se à medicina, disciplina que afirmava dominar com relativa facilidade. Ainda jovem, ganhou notoriedade ao tratar com sucesso uma enfermidade do governante samânida de Bucara, episódio que lhe garantiu acesso à rica biblioteca real — experiência decisiva para sua formação intelectual. Aos 21 anos, já iniciava sua prolífica carreira literária, que se estendeu muito além da medicina, abrangendo matemática, astronomia, física, metafísica, música e poesia. Sua obra exerceu influência duradoura tanto no mundo islâmico quanto na Europa medieval. A cédula acima destaca uma curiosidade geográfica: Ibn Sina nasceu em Afshana, local que hoje pertence ao Uzbequistão, e faleceu em Hamadã, atualmente no Irã, onde se encontra seu mausoléu. Ao homenageá-lo, o Banco Nacional do Tajiquistão o descreve como o “grande cientista e enciclopedista do povo tajique”, reforçando a importância simbólica de sua figura para a identidade cultural da região. Trata-se, portanto, não apenas de uma homenagem a um médico brilhante, mas ao legado de um intelectual que ajudou a moldar o pensamento científico e filosófico por séculos — um verdadeiro elo entre o mundo clássico, o islâmico e o europeu medieval.


Comentários