20 Reichsmark – 1945 – Sudetos & Baixa Silésia
- awada
- 10 de dez. de 2021
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Atualizado: 24 de fev.
Entre vingança e reordenação: Os deslocamentos populacionais no Pós-Guerra.


Os Sudetos — ou Sudetenland, como eram chamados em alemão — designavam, antes da Segunda Guerra Mundial, as regiões fronteiriças norte, oeste e sudoeste da então Checoslováquia, habitadas majoritariamente por populações de língua alemã. O nome deriva dos Montes Sudetos, uma cadeia montanhosa que se estende ao longo da fronteira histórica entre a Checoslováquia e a Baixa Silésia — esta última então parte da Alemanha e também com maioria germanófona até 1945. Em setembro de 1938, a Alemanha nazista anexou os Sudetos após o Acordo de Munique, firmado entre Alemanha Nazista, Reino Unido, França e Itália. A Checoslováquia, embora diretamente afetada, não participou das negociações e foi pressionada a aceitar os termos impostos. O acordo, apresentado como tentativa de preservar a paz na Europa, revelou-se ineficaz: em março de 1939, a Alemanha ocupou o restante do território tcheco, criando o Protetorado da Boêmia e Morávia, e poucos meses depois, em setembro, invadiu a Polônia, desencadeando a guerra em escala continental. Com o colapso do Terceiro Reich em 1945, a reorganização territorial da Europa Central foi discutida na Conferência de Potsdam. Decidiu-se ali que a população alemã dos Sudetos seria transferida da Checoslováquia para a Alemanha, em um processo descrito oficialmente como “ordenado e humano”, mas que na prática envolveu expulsões em massa, violência e grandes perdas materiais. Dos mais de três milhões de alemães que viviam no país segundo o censo de 1930, restavam cerca de 160 mil em 1946. Paralelamente, a antiga Sudetenland foi reassentada principalmente por checos, além de eslovacos e outros grupos. No caso da Baixa Silésia, a Conferência de Potsdam colocou a região sob administração polonesa, antecipando a fixação definitiva da nova fronteira Alemanha-Polônia ao longo dos rios Oder e Neisse. Lá também A população alemã foi progressivamente expulsa e substituída por poloneses — muitos deles por sua vez deslocados das áreas orientais da Polônia anexadas pela União Soviética. A cédula acima emitida em 28.04.1945 pelo Reichsbank alemão insere-se justamente nesse cenário de colapso iminente. Produzida nos últimos dias do regime nazista, poucos dias antes da rendição incondicional alemã em 08.05.1945, ela reflete o esforço desesperado de manter alguma funcionalidade econômica e administrativa em meio à desintegração militar e territorial do Reich. Em muitas regiões, inclusive nos Sudetos e na Silésia, essas notas circularam brevemente em um contexto de ocupação aliada, escassez generalizada e rápida transição para novas autoridades e sistemas monetários — tornando-se, assim, testemunhos materiais de um império que se desfazia.


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