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20 Pesos – 2020 – Uruguai

  • awada
  • 26 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de jan.

"É a voz da Pátria ... Peça glória, eu obedeço a essa voz." (trecho do poema A Lenda da Pátria)



O personagem retratado nesta cédula é Juan Zorrilla de San Martín (1855–1931), considerado o mais importante poeta nacional do Uruguai. Sua obra é profundamente marcada pelos costumes do país e pela exaltação de seus heróis fundadores. No reverso da cédula estão representados a alegoria e um trecho de La Leyenda Patria (A Lenda da Pátria), poema épico publicado em 1879, no qual o autor celebra o movimento revolucionário que conduziu à formação do Estado uruguaio. Os eventos retratados remetem às complexas disputas geopolíticas do início do século XIX no Cone Sul. Em 1808, a Espanha permitiu a passagem das tropas napoleônicas por seu território para a invasão de Portugal, fato que levou a corte portuguesa, sob D. João VI, a transferir-se para o Brasil. Como consequência indireta desse contexto europeu e temendo a influência espanhola na região, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves invadiu, entre 1816 e 1820, a então Província Oriental, que passou a ser administrada pelos brasileiros sob o nome de Província Cisplatina. Mesmo após a independência do Brasil em 1822, persistiram tensões internas. Movimentos separatistas alinhados às Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina), que defendiam a incorporação da Província Oriental, foram reprimidos pelo recém-formado Império do Brasil. Contudo, em 1825, um novo levante ganhou força: a expedição dos Trinta e Três Orientais, liderada por Juan Antonio Lavalleja. O grupo desembarcou em território cisplatino, avançou rumo ao interior, angariou apoio da população rural e estabeleceu, na cidade de La Florida, um governo provisório que proclamou a independência da Província Oriental do Império do Brasil e sua adesão às Províncias Unidas. O reconhecimento dessa independência pelas Províncias Unidas ainda em 1825 levou o Império do Brasil a declarar guerra, dando início à Guerra da Cisplatina. O conflito se estendeu até agosto de 1828, quando, sob a mediação da Coroa Britânica, foi firmado um acordo que reconheceu a Província Oriental como um Estado soberano e independente, tanto do Brasil quanto das Províncias Unidas. Assim, a antiga Província Oriental — e depois Cisplatina — deu origem ao Uruguai moderno. E é essa travessia histórica, feita de exílio, resistência e palavra, que Juan Zorrilla de San Martín transforma em verso. Na cédula, como na poesia, a memória nacional não se limita a narrar batalhas ou tratados: ela canta a lenta construção de uma pátria que nasceu entre impérios, mas encontrou sua voz própria no sopro persistente da liberdade.

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