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20 Lei – 1881/2021 – Romênia

  • awada
  • 23 de out.
  • 2 min de leitura

O espírito de Trajano na moeda romena.


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No início do século II, o imperador Trajano, vindo das margens do Mediterrâneo, atravessou os Bálcãs à frente de suas legiões e levou o poder de Roma até as montanhas da Dácia. O ouro das minas dácias e o espírito resistente de seu povo seriam, desde então, incorporados ao corpo do Império. Da fusão entre conquistadores e conquistados nasceu algo novo — uma língua moldada no latim, mas temperada por montes e rios do Oriente europeu. Essa fusão ancestral, ao longo dos séculos, deu forma à identidade romena, uma nação que se reconhece na palavra romanus, e que encontra em Trajano o seu símbolo fundador. Durante séculos, a lembrança dessa origem permaneceu subterrânea, preservada em tradições e nomes, até emergir com vigor no século XIX. Foi quando, entre a queda dos impérios e o despertar das nacionalidades, a Romênia moderna ergueu-se sobre o ideal da continuidade latina. Ao proclamar sua independência e fundar o Banco Nacional da Romênia em 1880, o novo Estado quis afirmar-se como herdeiro de uma civilização antiga — e fê-lo também por meio da imagem. Quando a primeira cédula de 20 lei foi emitida em 1881, não se escolheu um príncipe ou estadista contemporâneo para representá-la, mas sim o próprio imperador Trajano. Sua efígie clássica, envolta em ornamentos romanos, não era apenas um tributo ao passado, mas um ato de legitimação simbólica: o ouro que outrora fluíra das montanhas dácias transformava-se, agora, em valor fiduciário — num “selo de origem” que unia a Roma antiga ao Estado romeno moderno. Passaram-se cento e quarenta anos. A Romênia atravessou reinos, guerras, regimes e fronteiras, mas a ideia de romanidade permaneceu acesa. Em 2021, o Banco Nacional decidiu reeditar a antiga cédula de 20 lei, em versão comemorativa e polimérica, para celebrar o aniversário da primeira emissão. Assim, a cédula acima não é apenas uma lembrança numismática — é um espelho da história romena, em que a conquista se transforma em herança, o império em identidade, e a moeda em testemunha silenciosa da longa jornada de um povo que, há quase dois mil anos, continua a se chamar “romano”.

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