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20 Gourdes – 2001 – Haiti

  • awada
  • 15 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de dez. de 2025

A ajuda humanitária do Brasil para um país totalmente devastado por um terremoto.




Esta cédula integra uma das três variantes colocadas em circulação no Haiti a partir de 2001. As duas primeiras tiragens foram impressas pela tradicional empresa alemã Giesecke & Devrient (G&D), referência mundial em papel-moeda. A terceira e última impressão, realizada em novembro de 2013, ficou a cargo da Casa da Moeda do Brasil, totalizando 47.408.000 cédulas, distribuídas em cinco séries (A–E) e mantendo rigorosamente as mesmas características gráficas e a data original das edições alemãs. A produção brasileira ocorreu a título de doação do governo do Brasil, como parte do esforço internacional de reconstrução do Haiti após o devastador terremoto de janeiro de 2010, que causou entre 100.000 e 200.000 mortes e destruiu grande parte da já frágil infraestrutura do país. Além de liderar a missão militar da ONU (MINUSTAH), o Brasil teve papel central no apoio humanitário, e a impressão dessas cédulas visou restabelecer a circulação monetária e garantir um mínimo de estabilidade econômica em meio ao colapso institucional e social. A cédula foi originalmente concebida para celebrar o bicentenário da Constituição de 1801, promulgada por Toussaint Louverture (1743–1803), cuja imagem ocupa o anverso. Nascido escravizado na colônia francesa de Saint-Domingue, Louverture conquistou sua liberdade e ascendeu como estrategista militar e líder político durante a Revolução Haitiana, o único levante de escravizados da história a resultar na fundação de um Estado independente. Dotado de notável capacidade administrativa, ele aboliu a escravidão, reorganizou a economia agrícola e consolidou o controle da ilha, tornando-se governador-geral vitalício em 1801. A Constituição por ele promulgada afirmava a igualdade racial, a liberdade individual e a autonomia administrativa da colônia, desafiando diretamente o poder de Napoleão Bonaparte. Em resposta, tropas francesas invadiram a ilha, capturaram Louverture em 1802 e o deportaram para a França, onde morreu no ano seguinte, encarcerado no Forte de Joux, na região de Doubs. Embora não tenha vivido para ver a independência, sua obra abriu caminho para a proclamação do Haiti em 1º de janeiro de 1804, liderada por seu antigo tenente Jean-Jacques Dessalines. No reverso da cédula, encontra-se a representação da Constituição haitiana de 1987, marco da redemocratização do país após décadas de regimes autoritários, inspirada nos modelos constitucionais dos Estados Unidos e da França. Conhecido no período colonial como La Perle des Antilles (“A Pérola das Antilhas”), o Haiti contrasta seu passado de riqueza com a condição atual de nação mais pobre das Américas, fruto de séculos de exploração, isolamento diplomático e instabilidade política. Apesar de seu baixo valor facial, a cédula de 20 gourdes apresenta um conjunto respeitável de elementos de segurança, incluindo imagem latente, marca-d’água, faixa holográfica, fibras luminescentes e impressão em alto-relevo, refletindo o cuidado técnico empregado mesmo em uma emissão emergencial vinculada a uma das mais significativas ações de solidariedade internacional protagonizadas pelo Brasil no século XXI.

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