20 Francs – 1964 – Bélgica
- awada
- 27 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de dez. de 2025
Rei Balduíno: Quando o silêncio real enfrentou a verdade colonial.


O rei Balduíno da Bélgica (1930–1993), retratado nesta cédula, reinou de 1951 até sua morte. Ele sucedeu seu pai, o rei Leopoldo III (1901–1983), que abdicou naquele mesmo ano em meio a uma profunda crise política. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Leopoldo III tentou manter a Bélgica neutra, mas, após a invasão alemã de maio de 1940, rendeu-se ao Terceiro Reich. Essa decisão lhe rendeu forte hostilidade interna e internacional, sendo considerada inconstitucional pelo parlamento belga, que se refugiou em Londres e ali formou um governo no exílio. Após a rendição, Leopoldo III foi levado para a Alemanha e depois para a Áustria. Encerrado o conflito, permaneceu impedido por alguns anos de retornar à Bélgica, onde seu irmão, o príncipe Charles (1903–1983), atuou como regente. O retorno de Leopoldo ao país, em 1950, quase desencadeou uma guerra civil e, sob intensa pressão política, ele acabou abdicando em favor de seu filho Balduíno. Balduíno também foi o último soberano do antigo Congo Belga, que conquistou sua independência em 1960. Ao visitar o novo Estado — então denominado República do Congo (Congo-Leopoldville) — para a cerimônia oficial de independência, o rei viveu um dos momentos mais constrangedores da história das monarquias europeias. Após declarar solenemente no parlamento congolês “Que Deus proteja o Congo!” e assinar o ato de independência, ouviu, em silêncio forçado, o discurso do recém-empossado primeiro-ministro Patrice Lumumba (1925–1961), uma contundente denúncia do domínio colonial belga. Lumumba acusou abertamente o regime colonial de violência, humilhação e exploração, lembrando os sofrimentos impostos à população africana “porque éramos negros”. O discurso, duro e inesperado, caiu como um choque sobre o monarca, que ouviu pálido e visivelmente constrangido. Profundamente ofendido, Balduíno cogitou retornar imediatamente a Bruxelas, sendo dissuadido apenas pela intervenção de seus ministros. Naquele dia, diante do mundo, o rei ouviu no Congo não palavras de gratidão, mas o eco de um passado colonial que a Bélgica já não podia mais ignorar.


Comentários