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20 Francs– 1942 – França

  • awada
  • 9 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de jan.

Le Pêcheur: Como estrangular um tirano sem sair de casa!



Várias cédulas francesas da primeira metade do século XX receberam “apelidos” entre os colecionadores — le mineur (o mineiro), le berger (o pastor), le jeune paysan (o jovem agricultor), entre outros. A cédula aqui apresentada é uma delas e ficou conhecida como le pêcheur (o pescador). Ela integrou uma série emitida pelo Banco da França entre 1941 e 1950, cujo tema eram as profissões típicas da Bretanha, região situada no oeste do país, marcada por uma extensa costa banhada tanto pelo Canal da Mancha quanto pelo Oceano Atlântico. No anverso, vê-se um pescador puxando sua rede, tendo ao fundo o porto de Concarneau, uma tradicional cidade costeira bretã. Durante a ocupação nazista da França (1940–1944), essa cédula ganhou um uso inesperado: tornou-se um veículo informal de contrapropaganda e sátira política. Muitos franceses passaram a colar, no canto inferior esquerdo da nota, a imagem de Adolf Hitler recortada de selos postais alemães então em circulação. Como a colagem ficava sobre a corda e próxima à mão do pescador, criava-se a sugestiva ilusão de que o robusto pescador bretão estaria estrangulando o Führer — cena que causava silencioso deleite entre os ocupados, mas não derrotados, cidadãos franceses. Outra versão, igualmente popular, substituía Hitler pela imagem do marechal Philippe Pétain, retirada de selos franceses. Pétain governava a chamada França de Vichy, a porção sul do país que, embora formalmente independente, funcionava na prática como um regime colaboracionista subordinado à Alemanha nazista. Antigo herói da Primeira Guerra Mundial, o marechal acabaria sendo visto por grande parte da população como um símbolo de submissão e traição, o que explica sua presença nada honrosa na “forca” improvisada da cédula. Assim, enquanto tanques e soldados alemães controlavam as ruas, um simples pescador impresso em papel continuava, rede em punho, a fazer o que muitos franceses sonhavam em silêncio: mostrar que, às vezes, a história também pode ser reescrita — nem que seja com cola, um selo postal e uma boa dose de ironia.

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